Bibi critica discurso de líder do Hamas

Retórica de Khaled Meshal em Gaza mostra 'verdadeiro rosto' do grupo, diz premiê de Israel

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2012 | 02h03

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Bibi Netanyahu, respondeu com firmeza ontem às declarações feitas pelo líder político do Hamas, Khaled Meshal, em visita à Faixa de Gaza. "Nas últimas 24 horas, o inimigo nos mostrou de novo seu verdadeiro rosto", disse Netanyahu sobre o discurso em que Meshal prometeu jamais reconhecer o Estado de Israel.

"Eles não têm a intenção de se comprometer conosco. Eles querem destruir o nosso país", afirmou Netanyahu sobre o líder palestino. Meshal fez, no sábado, um desafiador discurso perante milhares de partidários na Faixa de Gaza, prometendo "libertar a Palestina, centímetro por centímetro". A primeira visita de Meshal a Gaza marcou o 25.º aniversário do Hamas e demonstrou que a influência do grupo continua forte.

Netanyahu, por sua vez, aproveitou o discurso de Meshal para justificar sua decisão recente de expandir os assentamentos sobre territórios ocupados da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, o que rendeu ao líder israelense duras críticas da comunidade internacional. A decisão foi anunciada após o reconhecimento do Estado palestino pela Assembleia Geral da ONU como Estado observador.

Para Netanyahu, a promessa do Hamas de acabar com o Estado israelense, após declarar "vitória" no conflito em Gaza, no último mês, justifica a relutância de Israel em renunciar a mais terras em favor dos palestinos.

"Fico sempre consternado com as desilusões dos outros que estão preparados para seguir nesse processo e chamá-lo de paz", afirmou o primeiro-ministro em encontro com seu gabinete. "Queremos uma paz verdadeira com nossos vizinhos, mas não fecharemos nossos olhos nem enterraremos nossas cabeças na areia."

Aos ministros, Netanyahu pediu ainda que Israel "resista às pressões" da comunidade internacional. O primeiro-ministro afirmou que Israel nunca se retirará unilateralmente da Cisjordânia, como fez de Gaza em 2005, argumentando que isso poderia criar outro território do qual os palestinos possam lançar foguetes contra as cidades israelenses. / AP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.