Bibi deixa reunião com Obama sem fazer concessões

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reuniu-se ontem durante uma hora e meia com o premier israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, na Casa Branca, mas não obteve concessões. Obama saiu sem nenhuma promessa de Bibi em relação a construções de casa nos assentamentos em Jerusalém Oriental e Cisjordânia. Os palestinos se opõem à insistência de Israel em construir em territórios ocupados.

AE-AP, Agencia Estado

24 de março de 2010 | 09h46

Segundo funcionários da Casa Branca, os EUA e Israel "concordaram em discordar". E o presidente Obama deixou de exigir que Netanyahu pare de construir nos assentamentos. Obama pediu que o premier israelense simplesmente deixe de anunciar novas construções em assentamentos, em uma estratégia que foi chamada de "não pergunte, não fale" por autoridades, em referência à política de gays nas Forças Armadas norte-americanas.

A reunião entre Obama e Bibi começou às 17h30 e foi fechada à imprensa, o que demonstra que a situação é delicada. Não houve comunicado conjunto ao fim do encontro, como é de praxe nessas situações.

Na noite de segunda-feira, Bibi já havia dado indicações de que não vinha disposto a fazer concessões. Em discurso na conferência da Aipac, o principal lobby judaico dos Estados Unidos, Netanyahu afirmou que Israel "tem o direito de construir em Jerusalém". "Jerusalém não é um assentamento, é nossa capital", disse.

Novas construções

A prefeitura de Jerusalém aprovou 20 apartamentos novos para judeus em Jerusalém Oriental, informou hoje a administração. A medida pode levar a uma nova crise diplomática com os Estados Unidos. A notícia veio a público no momento em que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estava em Washington tentando acalmar a tensão entre Israel e o governo do presidente Barack Obama sobre as construções, na área que os palestinos querem como capital de seu futuro Estado.

Os EUA veem as construções em Jerusalém Oriental como prejudiciais aos esforços para pacificar o Oriente Médio. Israel insiste que Jerusalém não pode ser dividida e que pode construir em qualquer parte da cidade. O novo projeto é financiado pelo milionário norte-americano Irving Moskowitz. Ele pretende demolir um hotel velho, o Shepherd, e construir um lote de 20 apartamentos e um estacionamento subterrâneo de três andares.

Hoje, um funcionário saudita culpou a "arrogância e teimosia" de Israel pelas dificuldades de haver paz na região. Em comunicado divulgado pela agência de notícias SPA, o funcionário, não identificado, critica especificamente a postura israelense sobre os assentamentos em Jerusalém Oriental. Segundo a fonte, Israel "desafia a vontade da comunidade internacional".

O funcionário saudita afirmou que comentários recentes de Netanyahu "lançam dúvida sobre o processo de paz como um todo e sobre a seriedade dos esforços internacionais em andamento para iniciar negociações". Nos últimos dias, Netanyahu tem reafirmado o direito israelense de construir na área almejada pelos palestinos.

Ocupação

Israel ocupou Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexou a área, fato que não teve reconhecimento da comunidade internacional. O chamado Quarteto para o Oriente Médio - EUA, Rússia, as Nações Unidas e a União Europeia - reuniu-se em Moscou, na sexta-feira, e pediu que Israel congele as construções em assentamentos. Com informações da Dow Jones e do jornal O Estado de S. Paulo.

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