Bibi desafia EUA sobre colônias

Premiê israelense rejeita reivindicação de Obama de paralisar expansão de assentamentos

AP, Reuters e AFP, Jerusalém, O Estadao de S.Paulo

25 de maio de 2009 | 00h00

O primeiro-ministro israelense, Benyamin Bibi Netanyahu, afirmou ontem que Israel vai continuar construindo casas nos assentamentos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, em um desafio ao pedido dos EUA de paralisar a expansão dos assentamentos."O pedido para uma suspensão total das construções não se justifica e não acredito que ninguém aqui aceitaria isso", disse o premiê.Na semana passada, Netanyahu foi recebido na Casa Branca pelo presidente americano, Barack Obama, que lhe pediu a suspensão total de novas construções de assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém. Bibi teria respondido que seu governo não tem a intenção de criar novos assentamentos, mas tampouco aceitaria limitações ao "crescimento natural" nos já existentes. Obama teria ficado surpreso com a insistência do premiê com relação às colônias, mas não se sabe até que ponto teria pressionado Netanyahu. Israel define o "crescimento natural" dos assentamentos como construções de novas casas nas fronteiras das regiões ocupadas pelos judeus destinadas a acomodar o crescimento das famílias. Meio milhão de judeus moram em assentamentos ou em pequenas comunidades - chamadas postos avançados - na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Os territórios foram tomados por Israel durante a guerra de 1967. Países árabes e grande parte da comunidade internacional consideram a ocupação ilegal. EUA e União Europeia dizem que os assentamentos são "obstáculos para a paz". Os palestinos alegam que sua existência tem como objetivo negar o direito dos palestinos de ter um Estado soberano na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com Jerusalém Oriental como capital. Mark Regev, porta-voz de Bibi, afirmou que o destino dos assentamentos existentes deve ser decidido em negociações com os palestinos. "Enquanto isso não ocorre, temos de permitir que a vida continue nessas comunidades", disse. Segundo funcionários israelenses, a intenção do premiê seria desviar a atenção dos EUA para uma ofensiva contra pequenas comunidades instaladas sem autorização do governo, muito mais fáceis de conter do que a expansão dos grandes assentamentos.ESTADO PALESTINONetanyahu falou pela primeira vez desde a eleição de fevereiro sobre a possibilidade de um Estado palestino. "Claramente, devemos ter algumas reservas sobre um Estado palestino", afirmou. "Quando alcançarmos um acordo substancial, chegaremos a um acordo sobre a terminologia."O primeiro-ministro propõe priorizar esforços para fortalecer a economia da Cisjordânia antes de iniciar negociações sobre o status dos territórios palestinos. Também ontem, o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, descartou a possibilidade de Israel voltar às fronteiras anteriores à guerra de 1967. "O retorno às fronteiras de 1967, como estão exigindo, apenas deslocaria o conflito ainda mais para o interior de Israel." EXPANSÃOBenyamin NetanyahuPremiê de Israel"O pedido para uma suspensão total das construções não se justifica e acredito que ninguém aqui aceitaria isso"Mark RegevPorta-voz do premiê "Enquanto o destino dos assentamentos não é decidido em negociação com palestinos, temos de permitir que a vida continue nessas comunidades"Avigdor LiebermanChanceler israelense"O retorno às fronteiras de 1967 apenas deslocaria o conflito"

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