'Bibi' pede que Abbas siga negociando a paz

Premiê de Israel fala em conseguir 'acordo histórico' com palestinos, mas moratória dos assentamentos termina e situação continua indefinida

Nathalia Watkins ESPECIAL PARA O ESTADO TEL-AVIV, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 00h00

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, pediu ontem que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, siga negociando a paz para que os dois cheguem a "um acordo histórico". No entanto, ainda a muito suspense quanto ao futuro das negociações, já que ontem expirou a moratória das construções em assentamentos de colonos na Cisjordânia.          

 

 

 

 

 

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A CNN, citando diplomatas americanos e israelenses, disse ontem que os dois lados estão prestes a alcançar uma posição de consenso em relação aos assentamentos. Apesar do pedido de "moderação" feito por Bibi, 2,5 mil pessoas festejaram o fim dos dez meses de congelamento nas construções na colônia de Revava, na Cisjordânia.

Durante a cerimônia, foi colocada a pedra inaugural de um jardim de infância no assentamento e 2 mil balões foram soltos, representando as 2 mil casas que serão construídas no local. Analistas israelenses acreditam, no entanto, que as comemorações dos colonos e o próprio ritmo de retomada das construções serão menores do que o esperado, como forma de apoio ao premiê.

Netanyahu pediu também aos membros de seu gabinete que não se pronunciem sobre o tema, para evitar elevar a tensão e prejudicar a frágil negociação. Os palestinos ameaçam abandonar o diálogo se as construções forem retomadas, enquanto o premiê de Israel tem dito que não ampliará o prazo, sob forte pressão da direita israelense, base da sua coalizão.

Os colonos se preparam também para a possibilidade de que Netanyahu mude de ideia e ceda à pressão americana. Segundo o jornal israelense Yedioth Aharonot, a principal alternativa estudada pelos colonos seria uma greve de fome.

As negociações em busca de um acordo sobre o tema continuam, mas especialistas dizem que, mesmo que Israel retome as construções, Abbas não suspenderá as negociações de imediato. Os EUA esperam que um acordo que permita a continuação das negociações seja alcançado antes que o processo de paz seja suspenso de fato, o que pode acontecer depois de uma reunião do Comitê da Liga Árabe, no dia 4.

Em Paris, Abbas reafirmou que continuar as negociações enquanto Israel constrói na Cisjordânia ocupada seria "perda de tempo", mas se disse "satisfeito" com o progresso das conversas. Hoje, Abbas reúne-se com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Caso israelenses e palestinos não cheguem a um compromisso, o fim da moratória pode marcar também o fim das negociações de paz no Oriente Médio, retomadas há menos de um mês, após quase dois anos em suspenso - desde a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Enquanto isso, o clima de tensão e incerteza se reflete nos territórios palestinos. Poucas horas antes do fim da moratória, dois israelenses foram feridos por palestinos que abriram fogo contra um carro próximo a Hebron.

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