Bibi promete ampliar assentamento, diz rádio

Futuro premiê teria feito acordo com ultradireitista sobre construções na Cisjordânia, apesar de garantir que ''negociará com palestinos pela paz''

AFP, AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2009 | 00h00

O indicado para ser o novo primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, teria fechado um acordo secreto com Avigdor Lieberman, líder do partido ultradireitista Israel Beiteinu, para ampliar construções na Cisjordânia, perto de Jerusalém Oriental. A informação foi revelada ontem pela rádio do Exército de Israel.O principal objetivo do acordo seria a construção de 3 mil casas, um centro comercial e um hotel na chamada "zona E1", ligando Maale Adumim, segundo maior assentamento israelense, à parte árabe de Jerusalém, anexada por Israel em 1967. Para evitar atritos com o governo de Barack Obama, a promessa de Bibi teria sido apenas verbalizada, sem nenhum compromisso escrito com Lieberman. O plano já havia rendido críticas em Washington. Segundo a Autoridade Palestina, as novas construções virtualmente dividiriam a Cisjordânia ao meio e inviabilizariam um futuro Estado palestino.Nem o Likud, partido liderado por Bibi, nem o Israel Beiteinu comentaram as revelações. Mas o prefeito de Maale Adumim, Benny Kashriel, afirmou ter recebido de Lieberman garantias de que seu partido "fará o necessário para realizar as construções".MUDANÇA DE DISCURSOApós selar uma aliança na terça-feira com o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, Netanyahu garantiu ontem em discurso que "negociará com a Autoridade Palestina para atingir a paz". A moderação retórica de Bibi - crítico notório dos Acordos de Oslo, de 1993 - ocorreu um dia depois de Obama ter reafirmado seu compromisso com a criação de um Estado palestino.O provável futuro premiê, porém, evitou a palavra "Estado" ao referir-se à questão palestina. A paz seria "um objetivo comum e duradouro de todos os governos da história de Israel", afirmou. Durante a campanha, Bibi se disse contrário à solução de dois Estados e defendeu uma "paz econômica" com a Autoridade Palestina, calcada no desenvolvimento da economia na Cisjordânia e Faixa de Gaza."Os palestinos devem entender que, com nosso governo, eles têm um parceiro para paz, segurança e desenvolvimento rápido", disse o líder do Likud.Representante do bloco majoritário na Knesset (Parlamento), Netanyahu foi incumbido pelo presidente Shimon Peres de formar o novo gabinete israelense. Até a entrada dos trabalhistas no governo em formação, anteontem, apenas partidos de ultradireita haviam oficializado aliança com Bibi. Ontem, a legenda ultraortodoxa Lar Judaico anunciou acordo com o Likud, em troca do Ministério da Ciência. O novo premiê, que já conta com apoio de 69 das 120 cadeiras, disse que anunciará a coalizão final na próxima semana.Além do diálogo com os palestinos, Netanyahu prometeu que dará continuidade às negociações com a Síria, que exige a devolução integral das Colinas do Golan em troca do reconhecimento de Israel. Em entrevista a um jornal libanês, o presidente sírio, Bashar Assad, disse que a paz depende de Washington e a eleição de Bibi não deveria minar os esforços para alcançá-la.

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