Bibi quer países árabes em negociações de paz

Durante encontro com Hillary Clinton, premiê diz que pretende ampliar negociações; AP ameaça de novo declarar Estado unilateralmente na ONU

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2010 | 00h00

Em conversa com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, propôs a inclusão de países árabes nas negociações de um acordo de paz com a Autoridade Palestina (AP).

As negociações diretas, mediadas pelos Estados Unidos, estão suspensas desde o rompimento do compromisso de Israel de manter congelada a construção de novos assentamentos em território palestino. Na segunda-feira, o governo israelense anunciou a construção de 1.300 apartamentos em Jerusalém Oriental, área palestina ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

"Esperamos ampliar as negociações para muitos outros países árabes. Esse é nosso objetivo comum", afirmou Netanyahu, acrescentando ser "bastante sério" o engajamento de Tel-Aviv no processo de paz.

Ao final do encontro, Hillary disse levar "totalmente em conta" as necessidades de segurança de Israel. Os dois se comprometeram a manter as negociações diretas nos próximos meses.

Quase simultaneamente, o presidente da AP, Mahmoud Abbas, reafirmou sua decisão de pedir à ONU o reconhecimento de um Estado palestino e sua inclusão como membro pleno da organização, se Israel não voltar atrás em relação à ampliação de seus assentamentos.

Na Indonésia, na última quarta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que a atitude de Israel "não ajuda em nada". No dia seguinte, depois de encontro com o ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, em Washington, Hillary afirmou ser essa iniciativa "contraproducente" e assinou uma ajuda adicional de US$ 150 milhões para projetos relacionados à montagem de uma estrutura governamental palestina.

Ontem, ao lado de Netanyahu, Hillary foi questionada sobre como relançar as negociações de paz diante desse novo impasse. "Isso é o que vamos discutir. Nós dois estamos muito comprometidos com isso", limitou-se. Até a tarde de ontem, a reunião não havia sido concluída.

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