Bibi reage a distúrbios com crítica ao Hamas

Em discurso após onda de violência que deixou 15 palestinos mortos, premiê adianta reivindicações que levará a reunião na sexta-feira com Obama

, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2011 | 00h00

TEL-AVIV

Um dia após confrontos em regiões de fronteira de Israel deixarem 15 árabes mortos, o primeiro-ministro Binyamin "Bibi" Netanyahu deu ontem sinais de que aceitará discutir pontos sensíveis da negociação territorial com os palestinos. O premiê israelense, no entanto, insistiu que não dialogará com uma Autoridade Palestina da qual faça parte o grupo radical islâmico Hamas.

As declarações de Bibi teriam por objetivo adiantar as reivindicações que ele pretende levar ao presidente dos EUA, Barack Obama, com quem deve se encontrar na sexta-feira, em Washington. Na véspera, Obama fará seu aguardado discurso ao mundo islâmico - o segundo desde que chegou à Casa Branca.

No domingo, grupos de palestinos avançaram sobre postos israelenses nas fronteiras com Síria, Líbano e Faixa de Gaza. Inéditas, as ações de manifestantes nas tensas divisas com territórios inimigos marcaram a "nakba" ("Catástrofe", em árabe), o aniversário de criação do Estado de Israel, em 1948.

Os palestinos tentaram marchar pelas fronteiras e, na divisa com a Síria, chegaram a entrar em território israelense. De acordo com Netanyahu, os palestinos que entraram em Israel pela Síria não querem independência, mas a "destruição" de seu país.

"Um governo cuja metade de seus integrantes declara diariamente seu desejo de destruir Israel não é um parceiro para a paz", disse o premiê israelense, referindo-se ao Hamas. No mês passado, a facção islâmica firmou um acordo com o rival laico Fatah para formar um governo de união e convocar eleições gerais.

Israel, imediatamente, denunciou o pacto, dizendo que o Fatah - que comanda a Autoridade Palestina, em Ramallah - havia escolhido o "confronto em vez da paz". Ontem o líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, voltou a defender o fim da "empresa sionista".

O governo americano apoia a posição israelense em relação ao grupo islâmico palestino, o qual considera "terrorista". Em 2006, quando o Hamas venceu as eleições palestinas, os EUA e a União Europeia congelaram a ajuda bilionária paga anualmente à Autoridade Palestina. Por fim, o Hamas e o Fatah entraram em choque e o grupo islâmico ficou isolado em Gaza.

O premiê israelense voltou ontem a condicionar qualquer acordo de paz com os palestinos ao reconhecimento do caráter judaico de Israel.

Retorno. Para a Autoridade Palestina, esse tema é especialmente sensível, já que, na prática, significa abrir mão do direito de retorno reivindicado por milhões de palestinos que fugiram nas guerras de 1948 e 1967.

"Para aqueles que orquestraram os distúrbios (de domingo), 63 anos desde a independência (de Israel) não mudaram nada. Eles exigem o retorno a Jaffa (Tel-Aviv) e à Galileia", afirmou Bibi, referindo-se a duas regiões dentro do território israelense reconhecido pela ONU. / AP

Diálogo

Em reunião no Egito, o Fatah e o Hamas deram início ontem às negociações para formar um governo de união com base no acordo assinado entre os dois grupos no início do mês.

 

 

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