Bibi usa campanha americana para pressionar Obama

The New York Times

, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2011 | 00h00

Muitas teorias têm sido apresentadas sobre as razões pelas quais um empresário republicano pouco conhecido, Bob Turner, numa eleição especial para o Congresso na terça-feira, saiu vitorioso no nono distrito congressional de Nova York, tradicionalmente democrata. Alguns analistas - e críticos republicanos - alegam que a vitória foi expressão de repúdio pelas políticas do presidente Obama em relação a Israel.

O apoio de Obama a Israel jamais fraquejou. Mas tememos que o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, interprete a eleição como mais uma razão para ignorar o conselho do presidente e recusar-se a qualquer tipo de acordo com os palestinos, não importa o quão fundamental isso seja para a própria segurança de Israel.

O ex-prefeito Ed Koch fez um jogo hipócrita ao estimular os eleitores a votarem no republicano num ato de censura contra o Obama pelo fato de o presidente entender que as fronteiras anteriores a 1967 devem ser a base de qualquer acordo de paz. Essa é a base de qualquer acordo buscado pelos presidentes americanos há mais de uma década. Netanyahu tem dado a entender que também aceita essa condição.

Obama não tem conduzido a questão israelo-palestina de modo hábil. Os palestinos com certeza esperaram demais para iniciar negociações. Mas Binyamin "Bibi" Netanyahu é o mais intratável, ampliando os assentamentos e afirmando que não pode ser mais flexível por culpa da sua coalizão de governo conservadora. Encorajado pelos republicanos do Congresso, ele tem procurado complicar a posição de Obama.

Obama coloca em risco os vínculos americanos com um mundo árabe que muda com muita rapidez, ao prometer vetar a iniciativa na ONU com vistas à criação de um Estado palestino. O presidente apoia uma solução de dois Estados, mas, corretamente, acredita que isso pode ser conseguido por meio de negociações. Seus diplomatas vêm trabalhando para convencer os palestinos de que um voto na ONU poderá sair muito caro para eles também, tão logo fique claro que pouca coisa mudou. Netanyahu deve se preocupar de que seu pais está mais isolado. Nenhuma eleição em Nova York tornará isso menos verdadeiro - ou menos perigoso para Israel.

ESTE EDITORIAL FOI PUBLICADO NA QUINTA-FEIRA

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