Nicholas Kamm/AFP
Nicholas Kamm/AFP

Biden abre possibilidade de mandar doses da Oxford/Astrazeneca ao Brasil

EUA anunciaram que irão destinar 60 milhões de doses do imunizante a outras nações

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2021 | 16h22

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, indicou na tarde desta terça-feira, 4, que o Brasil pode estar entre os países que irão receber doses da vacina contra covid-19 que será compartilhada pelos americanos. Os EUA anunciaram que irão destinar 60 milhões de doses do imunizante da Oxford/AstraZeneca a outras nações. Nesta terça-feira, ao ser questionado sobre o critério para a distribuição e se Brasil e Índia estariam nesta lista, Biden abriu a possibilidade de entregar doses ao País.

"Com relação à vacina da Astrazeneca que temos, enviamos ao Canadá e México e estamos falando com outros países. Aliás, falei com um chefe de Estado hoje. Não estou pronto para anunciar para quem mais iremos enviar a vacina também, mas vamos ter enviado 10% do que temos até 4 de julho para outras nações, incluindo algumas das que você mencionou", disse Biden, ao responder pergunta de jornalista da GloboNews.

Antes, Biden afirmou que os EUA estão ajudando o Brasil e têm ajudado a Índia "significativamente". Mais cedo, o governo Biden anunciou que deve fornecer ao Brasil medicamentos para intubação de pacientes com covid-19 no valor de US$ 20 milhões (cerca de R$ 105 milhões). Segundo a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, Estados Unidos, Brasil e a Organização Panamericana de Saúde têm discutido a parceria para destinar ao País os medicamentos americanos.

"Esse apoio está sendo oferecido para compensar os surtos de abastecimento global e permitir que o Brasil receba medicamentos suficientes para atender às suas necessidades hospitalares imediatas. Então, esse é um esforço que está em andamento, ainda não foi finalizado, mas estamos trabalhando em parceria com o governo do Brasil", disse Psaki, em entrevista coletiva nesta terça-feira.

A Casa Branca tem sido questionada sobre a discrepância na ajuda oferecida a países que sofrem com surtos de covid-19. Analistas e imprensa estrangeira têm destacado o tratamento diferente dado a Brasil e Índia, por exemplo, com maior atenção por parte da Casa Branca à situação do sudeste asiático. A Índia recebeu cerca de US$ 100 milhões em suprimentos dos EUA, como sistemas de fornecimento de oxigênio, medicamentos e insumos para produção de vacina. 

A vacina da Oxford/AstraZeneca precisa ser aprovada pelo órgão que regula uso de medicamentos e alimentos nos EUA, a FDA, antes de ser compartilhada com outros países. O Brasil iniciou tratativas com os EUA sobre eventual importação de doses da vacina contra covid-19 em 13 março, através do Itamaraty e da embaixada do Brasil em Washington, em parceria com o Ministério da Saúde. A movimentação do Brasil aconteceu depois de requisição semelhante feita por outros países e também após pressão da comunidade internacional pelo compartilhamento de doses. 

O governo dos EUA não confirmou tampouco se as novas doses serão emprestadas ou doadas. Há cerca de um mês,  Biden acordou o empréstimo de 4 milhões de doses da vacina da Oxford/AstraZeneca aos vizinhos México e Canadá. Na época, o governo mexicano anunciou na mesma semana um controle mais rigoroso na fronteira sul do país, em uma articulação para ajudar a tentativa do governo Biden de conter o fluxo de imigrantes que chega ao país através do México.

Nesta terça-feira, em evento organizado pelos centros de estudo Council of the Americas e Americas Society, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou que a "necessidade e não a política" está sendo levada em consideração na decisão. Segundo ele, os países que "mais estão em perigo" devem receber as vacinas.

A porta-voz da Presidência, Jen Psaki, voltou a dizer que o governo ainda realiza um processo interno para decidir os países que irão receber as doses, que foram requisitadas por países do mundo todo, entre eles o Brasil.

Com três vacinas contra covid-19 atualmente disponíveis (das farmacêuticas Moderna, Pfizer e Johnson & Johson), o governo americano considera que não precisará das doses da Oxford/AstraZeneca. Hoje,  Biden anunciou a nova meta de vacinação dos americanos, com o plano de ter 160 milhões de pessoas no país imunizadas até o feriado de 4 de julho.

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