Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Biden acusa Trump de obstruir transição e fala em risco para segurança nacional

Presidente eleito diz que equipe não recebeu todas as informações que precisa e que inimigos podem tirar proveito de vulnerabilidades

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2020 | 08h30

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, acusou o atual presidente Donald Trump e seus indicados de obstruir a transição de governo, especialmente na esfera de segurança nacional. A fala de Biden, feita nesta segunda-feira, 28, marca uma escalada no tom após relatos de dificuldades no processo de transição nas últimas semanas. 

O democrata citou o Escritório de Gestão e Orçamento e o Departamento de Defesa como agências onde sua equipe de transição encontrou “obstáculos” da liderança política.

“No momento, simplesmente não estamos recebendo todas as informações de que precisamos da administração nas principais áreas de segurança nacional. Na minha opinião, é nada menos que irresponsabilidade”, disse Biden sobre a resistência enfrentada por sua equipe. 

Vulnerabilidades

Ele alertou que os atrasos podem permitir que os inimigos dos Estados Unidos tirem proveito de eventuais vulnerabilidades, e citou uma violação massiva de segurança cibernética que comprometeu várias agências dos EUA. Neste mês, hackers invadiram uma série de redes governamentais importantes do país. 

“Como nosso país está em um período de transição, precisamos ter certeza de que nada será perdido na transferência entre as administrações. Minha equipe precisa de uma imagem clara da postura de nossa força ao redor do mundo e de nossas operações para deter nossos inimigos ", disse Biden durante um pronunciamento em Delaware. 

"Precisamos de total visibilidade do planejamento orçamentário em andamento no Departamento de Defesa e outras agências para evitar qualquer janela de confusão ou recuperação que nossos adversários possam tentar explorar”, afirmou.

A acusação feita por um presidente eleito de que o titular estaria colocando a segurança nacional em risco ao se recusar a cooperar evidenciou a natureza sem precedentes da atual transição. 

Faltando menos de um mês para o dia da posse, o democrata prepara as bases para lidar com os gigantescos desafios que enfrentará assim que assumir a presidência - acabar com a pandemia do coronavírus e reconstruir a economia. Ele vem preenchendo de forma constante as vagas em seu gabinete e em cargos importantes em seu governo, que assumirá ao meio-dia de 20 de janeiro. 

Em um comunicado,o secretário de defesa interino, Christopher C. Miller, defendeu o nível de cooperação do departamento com a equipe de Biden. Ele disse que o departamento estava continuando a “agendar reuniões adicionais para o restante da transição e responder a todas e quaisquer solicitações de informações em nosso alcance”./W. Post e NYT

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