EFE / EPA / Sarah Silbiger / POOL
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Biden ainda pode ganhar? Sim. Aqui estão os caminhos para ele e Trump

O presidente conseguiu fechar vários caminhos para uma vitória antecipada de Biden, mas o ex-vice-presidente ainda tem várias opções.

Por Reid J. Epstein e Glenn Thrush, New York Times

04 de novembro de 2020 | 10h59

Joe Biden começou a noite da eleição com muitos caminhos para conseguir os 270 votos no colégio eleitoral que lhe garantiriam a Presidência dos Estados Unidos, mas na manhã de quarta-feira, 4, o presidente Donald Trump havia vencido na Flórida, Ohio e Texas e estava perto de vencer na Carolina do Norte.

Isso deixou um número reduzido, mas ainda significativo, de maneiras pelas quais Biden poderia prevalecer, principalmente agrupadas em torno da recaptura de Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, o grupo de Estados que eram altamente industrializados para perderam suas fábricas - e os empregos delas - com a expansão da China. Chamados de “Cinturão da Ferrugem” por causa desse abandono industrial, os Estados historicamente votavam nos democratas e formavam uma confiável "parede azul", que Trump derrubou há quatro anos.

Aqui estão os principais cenários restantes para Biden, assim como para Trump, vencer a eleição nos EUA. Os cenários de Biden presumem que ele ganhe Nevada, um Estado azul onde ele está um pouco à frente.

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Um caminho envolve a vitória de Biden no Arizona e na Geórgia, Estado do Cinturão do Sol, onde ele parece ser um candidato competitivo com dezenas de milhares de votos ainda a serem contados.

Biden tem vantagem no Arizona, e uma vitória lá o tiraria um pouco da pressão para confiar inteiramente nos Estados perdidos para Trump em 2016. Ele pode perder a Pensilvânia se ganhar o Arizona, Michigan e Wisconsin.

Se Biden vencer na Geórgia e no Arizona, poderá alcançar 270 votos eleitorais enquanto perde na Pensilvânia e em Michigan ou em Wisconsin.

Ou ele poderia se tornar presidente simplesmente reconquistando Michigan, Wisconsin e Pensilvânia - o que parece difícil, dada a vantagem de Trump na Pensilvânia. 

Na Geórgia, onde Trump detém uma pequena vantagem com cerca de 92% dos votos apurados, um vazamento em um centro de processamento na parte central do Estado atrasou a apuração de algumas cédulas de Atlanta e seus condados suburbanos, que são vistos como fortalezas democratas.

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Aproximadamente 20% dos votos permaneceram sem registro até manhã desta quarta-feira em DeKalb County, um subúrbio fortemente democrata de Atlanta.

“O caminho de Joe Biden praticamente não mudou desde que ele entrou nesta disputa”, disse Guy Cecil, presidente do Priorities USA, um importante super PAC democrata, na quarta-feira. “Ainda há pelo menos cinco Estados competitivos dando a ele vários caminhos para chegar a 270 votos no colégio eleitoral. Pode levar alguns dias para contar os votos, e podemos ter que lutar contra a campanha de Trump na Suprema Corte, mas Joe Biden continua sendo o favorito.”

Biden, aparecendo brevemente perante seus apoiadores em Wilmington, disse que estava "se sentindo muito bem em relação a Wisconsin e Michigan" e previu uma vitória na Pensilvânia, um campo de batalha central famoso por sua contagem lenta de votos.

“Acreditamos que estamos no caminho certo para vencer esta eleição”, disse ele. As vitórias de Trump na Flórida, Ohio e Texas não criaram um novo caminho para ele, mas fecharam atalhos pelos quais Biden poderia ter reivindicado a vitória no dia da eleição. 

Em comentários feitos na quarta-feira pela Casa Branca, o presidente foi assertivo ao dizer que manteria a Geórgia, Carolina do Norte, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia - todos os Estados com porcentagens significativas de cédulas ainda a ser apuradas. “Não precisamos de todos eles” para vencer, disse ele.

Sua última chance de reviravolta é Nevada, que se esperava que fosse uma disputa acirrada, mas geralmente favorável a Biden.

Caso contrário, o caminho de Trump para vencer um segundo mandato depende de se manter firme nos Estados do Cinturão da Ferrugem, que ele ganhou em 2016, e manter a Geórgia.

“O caminho de Trump é exatamente o mesmo de 2016”, disse Alex Conant, estrategista republicano veterano nas campanhas do senador Marco Rubio. “Ele precisa ter um desempenho superior em alguns Estados tradicionalmente azuis. Trump vence quando os eleitores democratas não confiam no candidato que tem para votar”.

Em Wisconsin, Biden estava bem à frente das margens de 2016 de Hillary Clinton no condado de Waukesha, um subúrbio de Milwaukee, e no condado de Dane, onde fica a cidade de Madison. A participação em Milwaukee pareceu ser menor do que em 2016, uma possibilidade preocupante para Biden, dada a inclinação fortemente democrática da cidade.

Ainda assim, os democratas estavam confiantes de que a contagem final dos votos favoreceria Biden.

“Acho que se você olhar o que foi contado e o que não foi contado, Biden quase certamente vencerá o Wisconsin”, disse Sachin Chheda, estrategista democrata em Milwaukee.

E também há Nebraska, um dos dois Estados, junto com Maine, que dividem seus votos eleitorais por distrito congressional. Biden venceu o Segundo Distrito Congressional do Estado, que inclui Omaha. A presidente do Partido Democrata de Nebraska, Jane Kleeb, declarou vitória na quarta-feira. “Omaha agora é Joe-maha”, disse ela.

Como Biden ganhou aquela única votação eleitoral em Nebraska, ele poderia assegurar a presidência vencendo Arizona, Michigan e Wisconsin - independentemente do resultado na Pensilvânia.

 

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