Kevin Lamarque/Reuters
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Biden ameaça punir Mianmar por golpe de Estado; Conselho de Segurança convoca reunião

Em comunicado, presidente americano explica que ordenou a seu gabinete que revise se deverá reinstituir sanções suspensas na última década; transição em Mianmar era considerada um caso de sucesso do governo Obama

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2021 | 16h44

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ameaçou punir Mianmar após o golpe de Estado no país nesta segunda-feira, 1º, e pediu à comunidade internacional que converse e se alinhe para fazer com que os militares birmaneses desistam imediatamente do poder. O Conselho de Segurança da ONU realizará na terça-feira, 2, uma reunião de emergência sobre a situação no país. 

Em um comunicado divulgado pela Casa Branca, Biden anunciou ter ordenado a seu gabinete que revise se deverão ser reinstituídas as sanções suspensas na última década, em um momento no qual Mianmar caminhava rumo a uma transição democrática frágil e inexperiente.

"Por quase uma década, o povo de Mianmar tem trabalhado constantemente para estabelecer eleições, o governo civil e a transferência pacífica do poder. Esse progresso deve ser respeitado", declarou o chefe de Estado americano.

Biden afirmou que, se a democracia não for respeitada, os EUA tomarão as medidas que julgam apropriadas, embora não as tenha detalhado. Ele não informou se está avaliando algo além de possíveis sanções, um assunto que não foi esclarecido pela porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, em seu briefing diário à imprensa. O governo americano pediu o fim de todas as restrições às telecomunicações e que a violência não seja usada contra civis.

O presidente americano também convocou a comunidade internacional a "unir-se em uma só voz" para pressionar os militares birmaneses a deixarem o poder e libertarem os ativistas e oficiais detidos, incluindo a chefe de governo de fato, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi

O Reino Unido planejava havia tempos uma reunião do Conselho de Segurança sobre Mianmar, que ocorreria na quinta-feira. No entanto, em razão do golpe militar nesta segunda-feira, a reunião se tornou uma emergência e será realizada amanhã a apenas a portas fechadas, por videoconferência.

O poderoso Exército de Mianmar tomou o poder nesta segunda-feira e derrubou a frágil transição democrática no país, ao mesmo tempo em que declarou o estado de emergência e prendeu Suu Kyi e o presidente birmanês até hoje, Win Myint, além de vários ministros e presidentes regionais. Os militares justificaram o golpe de Estado com base em uma suposta fraude nas eleições de novembro de 2020. 

Os militares governaram de 1962 e 2011, quando teve início uma transição no país. O caso de Mianmar foi considerado um sucesso do governo do ex-presidente Barack Obama (2009-2017), do qual Biden foi vice-presidente, por se considerar que o país caminhava para a democracia e se afastava da órbita da China./EFE e AFP

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