Brandon Bell|Getty Images|AFP
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Biden amplia ordem de Trump e veta investimento americano em tecnologia militar chinesa

Medida intensifica uma batalha comercial e ideológica entre Pequim e Washington, o que o democrata chama de luta entre “a autocracia e a democracia”

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2021 | 19h30

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Joe Biden, emitiu nesta quinta-feira, 3, uma nova ordem executiva proibindo americanos de investir em empresas chinesas ligadas ao “complexo industrial militar” de Pequim. Segundo a Casa Branca, essas indústrias produzem tecnologia de vigilância usada para reprimir opositores ou minorias religiosas, como ocorre com os dissidentes em Hong Kong e os uigures no noroeste da China. A nova ordem amplia uma restrição baixada pelo ex-presidente Donald Trump de 31 para 59 empresas.

A medida intensifica uma batalha comercial e ideológica entre Pequim e Washington, o que Biden chama de luta entre “a autocracia e a democracia”.

A mudança ocorre em um momento em que a China aumenta sua capacidade de espionar seus quase 1,4 bilhão de habitantes, usando uma mistura de câmeras de reconhecimento facial e software, scanners de telefone e muitas outras ferramentas. Essa tecnologia tem sido exportada para nações em todo o mundo e muitas vezes é vendida como parte de um pacote de equipamento de comunicação.

Assessores de Biden disseram que a medida foi justificada por um novo compromisso americano de não facilitar a repressão chinesa e os abusos contra os direitos humanos.

A China costuma condenar esse tipo de movimento como interferência em seus assuntos internos e já tentou retaliar iniciativas como essa com vetos a empresas americanas. Além disso, os chineses dizem que os EUA e outros países usam estas mesmas tecnologias e técnicas para rastrear terroristas e traficantes.

A eficácia da ordem do democrata ainda não está clara. Para tornar a proibição de investimentos realmente efetiva, ele teria de convencer aliados europeus, além de Japão e Coreia do Sul, a se juntarem ao esforço, questão que deve ser tema de debates na próxima semana durante a cúpula do G-7, no Reino Unido. / NYT e AFP 

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