Washington Post photo by Carolyn Van Houten
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Biden amplia presença digital, mas segue atrás de um Trump onipresente

Principal nome do Partido Democrata está dobrando o tamanho de sua equipe digital, atualmente com 25 pessoas, e sua campanha lançou uma extensa estratégia por meio de múltiplas plataformas digitais

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2020 | 04h00

WASHINGTON - Joe Biden acelera sua campanha digital para poder competir com a formidável operação online do presidente americano, Donald Trump, mas democratas dizem que, se ele pretende vencer o presidente republicano em novembro, terá de ir além dos discursos monótonos gravados no porão de sua casa.

O político, que praticamente tem a candidatura do Partido Democrata na mão, está dobrando o tamanho de sua equipe digital, atualmente com 25 pessoas, e sua campanha lançou uma extensa estratégia por meio de múltiplas plataformas digitais.

Biden está em uma situação difícil: as eleições de novembro estão a menos de seis meses e a campanha tradicional interrompida pela pandemia de coronavírus

Enquanto ele fala com uma câmera em um estúdio vazio no porão de sua casa em Delaware, onde está confinado, Trump está sob os holofotes, agindo - com ou sem sucesso - para dirigir a crise do coronavírus e retomar a economia. 

O contraste ficou claro na semana passada, quando um comício virtual de Biden na Flórida foi marcado por problemas técnicos. Gravações do porão de Biden foram descritas por alguns especialistas em campanhas democratas como muito estáticas e engessadas. 

Os estrategistas estão preocupados com o fato de Biden já estar atrás de Trump em métricas importantes de plataformas como Twitter, Facebook, YouTube e Instagram.

O ex-vice-presidente de 77 anos terá de se adaptar rapidamente à nova realidade política se quiser competir com um presidente com uma enorme operação online. 

'Batalha pela alma da nação'

Biden tem dito que as eleições de 2020 são "uma batalha pela alma desta nação". "Mas também é uma batalha pela alma da internet. E é uma batalha que estamos tentando vencer", disse Rob Flaherty, diretor digital da campanha de Biden, no Twitter no sábado, anunciando várias novas contratações.

Entre elas está a da assessora digital Caitlin Mitchell, membro importante da equipe de campanha presidencial de Elizabeth Warren

A artilharia online de Trump tem sido pesada desde o primeiro dia. Na semana passada, o chefe de campanha Brad Parscale comparou a campanha digital organizada de Trump aos ataques da "Estrela da Morte" de Star Wars.  

O argumento da campanha de Biden é que os americanos querem um líder com habilidades e experiência para governar. 

A mensagem? "Ele está pronto para liderar um momento de crise como esse e tem a compaixão e a empatia que Trump carece", disse Mike Gwin, diretor de resposta rápida da campanha de Biden.

Como Biden espalha essa mensagem pode ser o problema que define a campanha. "Discursos do porão não serão suficientes", alertaram os veteranos da equipe de campanha de Barack Obama, David Axelrod e David Plouffe, em um artigo recente no  New York Times

"Para avançar e ser ouvido, (Biden) terá de aumentar o ritmo de sua campanha e adotar um novo conjunto de ferramentas virtuais orientadas a dados e táticas criativas."

Gravações no porão 

Segundo a equipe da campanha, anúncios ou eventos de Biden foram vistos online 112 milhões de vezes desde meados de março. 

A estrategista democrata Lis Smith disse que Biden deve dominar o gênero digital. 

"Houve uma ideia convencional durante muito tempo de que Joe Biden está ferrado porque está preso em seu porão" durante a crise do coronavírus, disse Smith em um webcast do site Politico na segunda-feira. No entanto, com o colapso da campanha tradicional, ter sido forçado a se tornar digital "pode ser a melhor coisa que aconteceu com Joe Biden", avalia. 

Pesquisas recentes mostram Biden na frente de Trump. "Mas não podemos cantar vitória antes da hora aqui", alertou Smith. 

Uma operação eficiente pode divulgar o discurso de Biden para os eleitores de várias maneiras: reuniões virtuais, entrevistas na televisão local em Estados-chave como Wisconsin, comícios online. 

No entanto, a enorme projeção de Trump no meio digital ofusca Biden, que precisa se apropriar do Instagram, do YouTube, do TikTok e do Snapchat, se quiser competir.

A estrategista digital Lori Coleman, do grupo DemCast, diz estar "extremamente preocupada" com o início tardio de Biden, mas acredita que ele ainda pode se recuperar. 

"Antes do coronavírus, a campanha tradicional seria muito boa para Joe e não acho que eles estivessem muito bem posicionado para mudar para uma campanha mais digital", disse Coleman. "Eu sei que eles têm trabalhado diligentemente no desenvolvimento disso. Definitivamente será necessário." 

O grupo de infraestrutura digital Acronym diz que a campanha de Trump gastou US$ 55,9 milhões em propaganda no Facebook e no Google desde 2018, enquanto a Biden gastou US$ 19,6 milhões nessas plataformas desde o ano passado.

Biden, no entanto, recebeu grandes doações, incluindo a quantia impressionante de US$ 60,5 milhões em abril, segundo sua campanha./AFP 

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