Kevin Lamarque/Reuters
Kevin Lamarque/Reuters

Biden garante vacina para todos os adultos dos EUA a partir de 19 de abril

Governo acelera programa de vacinação e ultrapassa média de 3 milhões de doses por dia; presidente tenta conter otimismo para evitar relaxamento da população, mas antecipa meta de imunização e prevê vacinar 200 milhões até fim de abril

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 13h02
Atualizado 06 de abril de 2021 | 20h20

WASHINGTON -  O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, garantiu nesta terça-feira, 6, que todos os adultos americanos poderão se vacinar contra a covid-19 a partir do dia 19. A data – antes fixada para 1.º de maio – foi antecipada em razão da aceleração da imunização no país. Os EUA estão vacinando uma média de 3 milhões de pessoas por dia, após um pico de 4 milhões de vacinados no sábado.

Na prática, Biden garante que o estoque será suficiente para imunizar toda a população adulta dos EUA que quiser agendar a aplicação de uma dose. Com o anúncio, o presidente também unifica uma meta que já vinha sendo adotada por muitos Estados. Hoje, o Oregon, por exemplo, disse que todos os jovens acima de 16 anos poderão se vacinar a partir do dia 19.

“Chega de regras confusas. Chega de restrições complicadas”, disse Biden, em discurso na Casa Branca. Apesar de estabelecer uma nova meta ousada, o presidente adotou um discurso cauteloso, controlando-se para não passar um otimismo exagerado no momento em que a pandemia ainda não está sob controle.

“O vírus se espalha porque muita gente enxerga o fim e acha que já estamos na linha de chegada”, disse. “Mas ainda temos muito trabalho a fazer. Ainda estamos em uma corrida de vida ou morte contra o vírus.”

Nesta terça-feira, Biden anunciou que mais de 150 milhões de doses já foram aplicadas nos primeiros 75 dias de seu governo, que está a caminho de cumprir a meta de 200 milhões de vacinados nos primeiros 100 dias de mandato. 

A má notícia, de acordo com o presidente, é que as novas variantes do coronavírus estão se espalhando rapidamente e o número de casos e de hospitalizações também está aumentando. “Como eu disse antes, podemos ter um 4 de Julho (feriado da independência dos EUA) seguro e feliz, com família e amigos em pequenos grupos”, disse Biden. “A questão é quantas mortes teremos até lá?”

O governo vem aumentando o ritmo da vacinação. Inicialmente, alguns Estados americanos, com poucas doses, vinham priorizando pessoas em grupos de risco, além de idosos. No entanto, com o aumento da oferta de vacinas, muitos governadores pisaram no acelerador mais rápido do que a Casa Branca esperava, o que ajudou Biden a cumprir a promessa de aplicar 100 milhões de doses nos primeiros 100 dias no cargo bem antes do prazo, após 58 dias.

Na segunda-feira, o assessor da Casa Branca para a pandemia, Andy Slavitt, afirmou que os EUA estão aplicando uma média de 3,1 milhões de doses por dia. No sábado, o país bateu o recorde e chegou a 4 milhões de vacinados em 24 horas. Até o momento, 167 milhões de doses já foram administradas no país, incluindo os vacinados durante a reta final do mandato de Donald Trump.

Cerca de 4 em cada 10 americanos já receberam pelo menos uma dose. Os fármacos da Moderna e da Pfizer/BioNTech requerem duas doses, enquanto o produzido pela Johnson & Johnson, também usado no país, apenas uma.

Nos EUA, a covid-19 já matou mais de 500 mil pessoas, o que coloca o país no topo do ranking de óbitos devido à doença.

Na semana passada, Biden já havia informado que 90% dos adultos estariam aptos para a imunização antes do fim do mês. Com os Estados expandindo a vacinação ou planejando fazê-lo, no entanto, houve um entendimento de que será possível contemplar todas as pessoas menores de idade na nova data.

Aumento de casos

A aceleração da vacinação no país coincide com um aumento dos diagnósticos de covid-19 em território nacional, após os casos despencarem quase 80% entre o meio de janeiro e o fim de março. 

O controle coincidiu com a posse de Biden, que foi na direção contrária de Trump centralizando o combate à pandemia, recomendando o uso obrigatório de máscaras em espaços públicos, o distanciamento social e a testagem, por exemplo.

Agora, com o alívio de várias restrições, a retomada de atividades pré-pandêmicas e o otimismo diante da vacina, vários Estados veem um novo aumento dos casos. A situação é mais aguda onde a variante britânica B.1.1.7, mais contagiosa e letal, circula livremente.

As vacinas usadas nos EUA são eficientes contra a cepa britânica. Segundo especialistas, no entanto, é necessário que entre 70% e 90% da população tenha anticorpos para o vírus até que haja uma queda significativa da transmissão. Cerca 32% da população americana recebeu ao menos uma dose da vacina até o momento, e apenas 19% foi totalmente inoculada.

Em pronunciamento na Casa Branca, Biden ressaltou ainda que, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, mais de 75% das pessoas com mais de 65 anos foram vacinadas nos país - 55% delas totalmente imunizadas - número que era de 8% quando ele tomou posse. / AP e REUTERS

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