AP Photo/Andrew Harnik
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Biden promete 200 milhões de doses contra covid até fim de abril e planeja reeleição em 2024

Primeira meta de vacinação foi atingida na semana passada, antes do prazo proposto, quando os EUA chegaram a 100 milhões de doses aplicadas nos 59 dias iniciais da presidência do democrata

Beatriz Bulla / Correspondente, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2021 | 14h57
Atualizado 26 de março de 2021 | 11h40

WASHINGTON - Em sua primeira entrevista coletiva como presidente dos Estados Unidos, Joe Biden dobrou nesta quinta-feira, 25, a meta de vacinação para os 100 primeiros dias de seu governo e prometeu aplicar 200 milhões de doses até o fim de abril. “Sei que é ambicioso. Nenhum país do mundo chegou perto disso, e eu acredito que podemos fazer”, disse Biden, que também anunciou que pretende ser candidato à reeleição em 2024.

“Meu plano é concorrer à reeleição”, disse o presidente, de 78 anos, que teria 82 anos no começo de um eventual segundo mandato e já é o presidente mais velho dos EUA. “Respeito muito o destino e não faço planos com tanta antecedência. Mas realmente espero que Kamala Harris seja minha companheira de chapa. Ela está fazendo um trabalho muito bom.”

Em outras ocasiões, Biden se descreveu como uma “figura de transição”. Harris, que concorreu nas primárias democratas de 2019, mas desistiu da campanha, era apontada por muitos como a possível candidata do Partido Democrata, que estaria sendo preparada para 2024. Ao ser questionado se faria uma revanche contra Donald Trump novamente, Biden foi evasivo. “Não tenho ideia de quem representará o Partido Republicano.”

Mal assumiu a presidência, em 2017, Trump já havia começado sua campanha pela reeleição, com comícios em várias partes do país – o que até então era incomum na política americana. Após perder para Biden, no entanto, o republicano passou a sugerir que pode ser candidato de novo em 2024 – a Constituição dos EUA não impede que ele se candidate para um segundo mandato.

Biden, no entanto, sabe que, para ter chances em 2024, a vacinação é crucial. A primeira meta, estipulada por ele ainda na campanha eleitoral, foi cumprida bem antes do prazo. Na semana passada, os EUA superaram a marca de 100 milhões de doses aplicadas em 59 dias de governo.

O objetivo inicial de 100 milhões de doses em 100 dias já vinha sendo considerado subestimado por especialistas, levando em conta a oferta de vacinas dos EUA. Quando o democrata tomou posse, em 20 de janeiro, o país vacinava em média 800 mil pessoas por dia. O ritmo foi acelerado e agora é de 2,5 milhões de doses a cada 24 horas. Se mantido, o presidente novamente baterá a meta antes do prazo.

Os EUA já vacinaram 87,3 milhões de pessoas, sendo que 47,4 milhões já tiveram o processo de imunização completo – o que significa que receberam duas doses das vacinas da Moderna ou da Pfizer ou a dose única da Johnson & Johnson.

A primeira entrevista coletiva de Biden ocorreu nesta quinta-feira após muitas críticas por ele ter levado tanto tempo para se submeter a perguntas da imprensa – foram 64 dias sem ser sabatinado pelos repórteres – mais do que qualquer presidente americano nos últimos 100 anos.

Os EUA têm uma população de cerca de 260 milhões de pessoas elegíveis para tomar a vacina – excluindo os menores de 16 anos. Isso significa que quase um terço dos americanos que podem receber a imunização já começaram a ser vacinados, o que corresponde a quase 26% da população total. 

Nesta quinta-feira, além de se vangloriar do ritmo de vacinação, Biden comemorou os feitos do início do governo, como o pagamento de uma nova rodada de auxílio emergencial aos americanos. “É a primeira vez que os números (de pedido de seguro desemprego) caem a um patamar pré-pandemia”, afirmou.

Nos quatro anos de Trump, as entrevistas coletivas costumavam gerar notícias imprevisíveis, com anúncios que surpreendiam até os assessores mais próximos do então presidente. Já na primeira fala de Biden aos jornalistas, o presidente não saiu do roteiro e foi sempre comedido nas respostas. 

China

No encontro de hoje, o democrata também falou das relações com a China e disse que, com apoio de uma “aliança de democracias” fará a potência asiática “prestar contas” e “seguir as regras” do jogo. Sobre o presidente chinês, Xi Jinping, Biden disse que era “um cara inteligente”. 

“Como Putin, ele pensa que a autocracia é a onda do futuro e a democracia não pode funcionar em um mundo sempre complexo”, disse Biden. Segundo o presidente americano, o que está em jogo no mundo atual é uma “batalha entre autocracias e democracias”. 

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