Spencer Platt/Getty Images/AFP
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Biden apresenta plano nacionalista de recuperação econômica para se opor a Trump

Candidato democrata visitou fábrica em Dunmore com discurso focado em criação de 5 milhões de novas vagas de trabalho e valorização dos 'empregos americanos'; plano usaria US$ 700 bilhões

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2020 | 10h30

O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, apresentou na quinta-feira, 9, um plano de US$ 700 bilhões para recuperar a produção econômica no país, afetada pela pandemia do novo coronavírus. O plano é uma maneira de fazer frente ao programa econômico do seu adversário nas eleições presidenciais em novembro, o republicano Donald Trump.

Biden, que lidera as pesquisas de intenção de voto, escolheu esse movimento para retomar a campanha presidencial interrompida por mais de três meses devido à pandemia da covid-19, abordando um setor muito afetado nesse período: o dos trabalhadores. 

O plano "Reconstruir Melhor" tem como foco a construção de "uma economia do futuro" que será "fabricada nos Estados Unidos, inteiramente nos Estados Unidos", disse o candidato democrata após visitar uma fábrica em Dunmore, uma pequena cidade da Pensilvânia de onde seu pai vem. 

O programa prevê a criação de mais de cinco milhões de empregos e a substituição das vagas perdidas devido à crise desencadeada pela expansão do novo coronavírus, que dizimou a primeira economia do mundo e deixou 18 milhões de desempregados no país. 

Serão investidos US$ 400 bilhões "para comprar os produtos e equipamentos que nosso país precisa para modernizar a infraestrutura, reabastecer nossos estoques e melhorar nossa segurança", afirmou Biden. Outros US$ 300 bilhões serão destinados à pesquisa e desenvolvimento, além de inovações tecnológicas, como energia renovável e veículos elétricos, afirmou o ex-vice-presidente no governo de Barack Obama. 

"Os chineses estão gastando bilhões de dólares para tentar se apropriar da tecnologia do futuro. Nós ficamos sem fazer nada", destacou. O dinheiro do governo "será usado para comprar produtos americanos e apoiar empregos americanos", disse o democrata diante de um pequeno público, que respeitava o distanciamento físico exigido pelas autoridades de saúde para retardar o avanço covid-19. 

Inverter as prioridades

Biden também prometeu maior independência de fornecedores estrangeiros, assistência a pequenas empresas, incluindo as dirigidas por minorias raciais, mais liberdade para os trabalhadores ingressarem em sindicatos e um aumento salarial para os trabalhadores considerados "essenciais" durante a pandemia. 

Para financiar seu projeto e "não incentivar" as empresas a se mudarem, ele anunciou a duplicação do imposto de renda corporativo no exterior. Em seu plano, Biden aborda alguns dos argumentos econômicos sobre os quais Trump construiu sua vitória em 2016, como priorizar a produção doméstica e proteger contra práticas "injustas" para o país. 

No entanto, ele destacou que o republicano "é a pessoa errada para governar o país", criticando a "incompetência" do governo diante de três grandes crises: a pandemia que já matou mais de 133 mil americanos, a crise econômica desencadeada pelo confinamento e a "profunda ferida do racismo sistêmico".

"Um terço" do maciço plano de ajuda financeira adotado pelo Congresso durante a pandemia "foi para os grandes negócios, esses são os grandes vencedores. Hora de reverter as prioridades e ajudar os pequenos, especialmente os pertencentes a minorias".  Segundo Biden, a solução para as desigualdades raciais não é apenas uma questão de reforma da polícia.

Por sua vez, a equipe de campanha de Trump considerou que o plano de Biden "reverteria todas as conquistas que geramos juntos e nos levaria ao desastre econômico". / AFP

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