Leah Millis/Reuters
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Biden arrecada US$ 242 milhões em três meses

Candidato democrata reduz vantagem financeira de Donald Trump graças a magnatas do Vale do Silício, Hollywood e Wall Street 

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2020 | 21h05

WASHINGTON - Em alta nas pesquisas, o democrata Joe Biden arrecadou US$ 242 milhões (R$ 1,2 bilhão) para sua campanha presidencial nos últimos três meses, graças a doadores ricos que desembolsam mais de US$ 100 mil. O resultado fez Biden reduzir muito a vantagem financeira que tinha o presidente Donald Trump, de acordo com balanço da Comissão Federal Eleitoral. 

O candidato democrata ainda tem menos recursos que o adversário, que informou estar com US$ 295 milhões (R$ 1,5 bilhão) em caixa. No entanto, o salto na arrecadação de Biden foi surpreendente – em abril, ele informou que tinha US$ 60 milhões (R$ 319 milhões) para gastar na sua campanha presidencial. 

Os maiores doadores de Biden no segundo trimestre, quando ele foi anunciado como o candidato democrata, representam a nata dos bilionários no Vale do Silício, de Hollywood e de Wall Street. Entre os que assinaram cheques de pelo menos US$ 500 mil estão Laurene Powell Jobs, viúva de Steve Jobs, Meg Whitman, ex-candidata republicana ao governo da Califórnia e agora diretora da empresa de streaming Quibi, George Soros, financista, Jeffrey Katzenberg, produtor de Hollywood, e Dustin Moskovitz, cofundador do Facebook. 

O novo relatório da Comissão Federal Eleitoral (FEC, na sigla em inglês) mostra como os maiores contribuintes impulsionam a recuperação financeira de Biden, que deixou de ser o candidato que lutava para arrecadar verbas nas primárias e se tornou o nome que está perto de superar o presidente.

Há uma clara indicação de que o democrata foi ajudado pela definição de que ele seria mesmo candidato do partido, embora não oficialmente. Desde a confirmação, no início de abril, as comportas financeiras foram abertas, com os principais doadores que apoiavam seus rivais dentro do Partido Democrata se unindo em torno do ex-vice-presidente americano. 

James Murdoch, filho do magnata da mídia Rupert Murdoch, e sua mulher, Kathryn, doaram US $ 615 mil, em junho, ao comitê compartilhado entre Biden e o Partido Democrata. Durante as primárias, o casal doou para Pete Buttigieg, ex-prefeito de South Bend, cidade do Estado de Indiana. A família Murdoch é proprietária da Fox News, emissora de TV preferida dos conservadores americanos. 

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Como candidato, os limites de doação se ampliam e Biden pode arrecadar dinheiro, simultaneamente, por meio de sua própria campanha, do Comitê Nacional Democrata (DNC) e ainda nos diretórios estaduais do partido. Os cheques têm um limite de US $ 620,6 mil. Os doadores que deram pelo menos US $ 100 mil foram responsáveis por mais de US $ 53 milhões do total arrecadado por Biden entre abril e junho, segundo os registros da FEC.

Outra surpresa para campanha de Biden é que quase toda a arrecadação foi feita à distância, por meio de conferências na internet. Em razão da pandemia, Biden está isolado em sua casa em Delaware, mas não precisou viajar pelo país para convencer eleitores de que era necessário investir na sua campanha.

Já Trump, que sempre se apoiou nos grandes doadores do circuito republicano até meses atrás, viu a pandemia desidratar seu caixa. O surto interrompeu o trabalho de seus arrecadadores de fundos e, no trimestre que passou, ele obteve principalmente contribuições online e juntou US $ 167,6 milhões (R$ 890 milhões) – 62% do total arrecadado. 

No entanto, o presidente americano também tem grandes doadores. Entre os maiores contribuintes estão Isaac Perlmutter, ex-diretor da Marvel Entertainment, e Bernard Marcus, cofundador bilionário da Home Depot. / NYT

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