U.S. Air Force/Mauricio Campino/Handout via Reuters
U.S. Air Force/Mauricio Campino/Handout via Reuters

Armas dos EUA chegam à Ucrânia; Biden ameaça Putin com sanções

Sanções pessoais contra presidente russo seriam destrutivas, afirma Rússia; EUA apresentam por escrito sua resposta à exigência da Rússia de vetar a adesão da Ucrânia à Otan

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2022 | 10h23
Atualizado 26 de janeiro de 2022 | 20h12

KIEV - A Ucrânia confirmou nesta quarta-feira, 26, que recebeu em Kiev, na terça-feira, um carregamento com armas, munições e equipamento militar dos EUA. Segundo a vice-ministra ucraniana da Defesa, Hanna Maliar, a carga faz parte de um pacote de US$ 200 milhões aprovado pelo presidente americano, Joe Biden, para reforçar a segurança do país diante de uma iminente invasão da Rússia

Além da ajuda direta, Biden também trabalha nos bastidores para tentar conter o avanço russo. Nesta quarta-feira, ele afirmou que estuda sanções pessoais contra o presidente Vladimir Putin, caso ele decida invadir a Ucrânia. O Kremlin respondeu, afirmando que a medida seria um risco. “Sanções individuais contra Putin não seriam dolorosas, mas politicamente destrutivas”, disse o porta-voz do governo, Dimitri Peskov.

As portas para uma saída diplomática, no entanto, parecem cada vez mais fechadas. Os EUA apresentaram nesta quarta-feira por escrito sua resposta à exigência da Rússia de vetar a adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Na mensagem, entregue pelo embaixador americano em Moscou, John Sullivan, a Casa Branca rejeita o pedido e defende o direito ucraniano de fazer parte da aliança. Em Bruxelas, o embaixador russo recebeu a mesma resposta dos países da Otan.

Horas antes, o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, havia ameaçado adotar retaliações se as respostas dos EUA e da Otan não satisfizessem o Kremlin. “Se o Ocidente continuar seu curso agressivo, Moscou tomará as medidas retaliatórias necessárias”, afirmou Lavrov em discurso ao Parlamento. “Não permitiremos que nossas propostas se percam em discussões intermináveis.”

A movimentação de soldados e armas indica que um conflito é iminente. A Rússia tem 100 mil homens mobilizados na fronteira com a Ucrânia, enviou tropas para Belarus e iniciou um exercício militar em várias partes de seu território. Do outro lado, membros da Otan despacharam caças e navios de guerra para o Leste da Europa e os EUA colocaram 8,5 mil soldados de prontidão para serem deslocados para a região. 

Nesta quarta-feira, a vice-secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, afirmou que a Rússia deve atacar em algumas semanas. “Tudo indica que Putin fará uso da força militar em algum momento, talvez entre agora e meados de fevereiro”, disse. 

No entanto, mesmo diante da intensa movimentação, o governo ucraniano dá sinais de que não acredita em uma invasão em larga escala. Nesta quarta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodmyr Zelenski, pediu calma à população. “Proteja seu corpo dos vírus, seu cérebro das mentiras, seu coração do pânico”, disse.

Em artigo publicado na segunda-feira, Andriy Zagorodnyuk, ex-ministro da Defesa da Ucrânia, afirmou que a Rússia não tem o número de soldados necessário para uma invasão em larga escala. Vários elementos estão faltando, segundo ele, incluindo grupos táticos, tanques e paraquedistas, além da falta de pessoal para atuar nos poucos hospitais de campanha montados. 

Para Entender

Entenda a crise entre Rússia e Otan na Ucrânia

O que começou como uma troca de acusações, em novembro do ano passado, evoluiu para uma crise internacional com mobilização de tropas e de esforços diplomáticos

Analistas da Rochan Consulting, com base na Polônia, calculam que a Rússia tenha cerca de 68 batalhões de prontidão na fronteira da Ucrânia e 11 em Belarus. Especialistas americanos acreditam, no entanto, que uma invasão exigiria pelo menos 100 batalhões. Outros analistas ocidentais afirmam que, com base na dificuldade em manter o controle do Iraque, os russos precisariam de pelo menos o dobro disso para combater uma contrainsurgência na Ucrânia. / AFP, NYT, AP, REUTERS e WP

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