Chip Somodevilla/Getty Images/AFP
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Biden bate recorde de arrecadação e tem US$ 432 milhões para gastar na reta final

Trump ainda não divulgou dados de setembro, mas vinha perdendo disputa financeira para democrata; gasto total em campanhas deve chegar a US$ 11 bi, segundo centro de monitoramento de custo, um aumento de 50% em relação a 2016

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2020 | 04h00

WASHINGTON - A campanha de Joe Biden anunciou um novo recorde de arrecadação em setembro: US$ 383 milhões – contando o montante recebido pelo Comitê Nacional Democrata e por grupos políticos aliados. Com isso, Biden chega à reta final da disputa com US$ 432 milhões em caixa. Donald Trump ainda não divulgou os dados do mês, mas vinha arrecadando bem menos que o rival e, nas últimas semanas, foi prejudicado pela covid, que o obrigou a suspender os eventos. 

O recorde anterior havia sido estabelecido por ele mesmo em agosto: US$ 364,5 milhões – Trump recebeu US$ 129 milhões no mesmo período. “Isso é mais do que eu arrecadei em toda a minha vida”, disse Biden em vídeo curto postado no Twitter. Com cerca de US$ 750 milhões nos últimos dois meses, o democrata ampliou sua vantagem financeira sobre o presidente em um momento decisivo da campanha. 

O dinheiro é considerado um fator crucial na campanha americana. Além de determinar o poder de fogo de cada candidato, os recursos medem a disposição da base de apoio entre a população. Como o voto não é obrigatório nos EUA, a dúvida dos analistas é sempre saber qual partido motivará mais os eleitores a votar – a quantidade de doações de campanha dá uma pista dessa mobilização.

“Duas coisas são importantes na política americana. A primeira é o dinheiro. A segunda eu não me lembro”, dizia o senador republicano Mark Hanna, no início do século 20. De acordo com o Center for Responsive Politics, neste ciclo eleitoral os gastos com eleições locais, estaduais e federais nos EUA deve chegar a US$ 11 bilhões – 50% a mais do que em 2016 e mais de três vezes o que se gastava nos anos 90.

Entre os responsáveis pela explosão dos gastos, muito além da inflação, estão o aumento dos custos com propagandas e anúncios, especialmente em rádio, sites e TV, e a sofisticação das ferramentas de comunicação, que incluem uma série de novas mídias: websites, podcasts, blogs e redes sociais. Os comitês de campanha também são um escoadouro de dinheiro. São computadores, celulares, linhas de telefone fixo, copiadoras, televisores, serviços de mailing, call centers, além dos custos com pesquisas de opinião.

No início da campanha, dinheiro não parecia ser um problema para o presidente. No total, Trump arrecadou US$ 1,33 bilhão, bem mais do que os US$ 990 milhões de Biden, de acordo com a soma das doações até agosto. Mas o candidato republicano torrou US$ 1,13 bilhão durante a campanha, ficando com US$ 236 milhões em caixa e sem conseguir transformar os gastos em popularidade.

A arrecadação de Biden disparou quando ele indicou a senadora Kamala Harris como vice na chapa. Em um único dia, a campanha democrata recebeu US$ 12,7 milhões em doações. Com os cofres abarrotados, seus estrategistas estão investindo em anúncios de TV em Estados-chave e em mercados onde um candidato democrata normalmente não gasta, como o Texas, reduto republicano, mas onde a disputa está acirrada. 

Biden vem anunciando até em Porto Rico, território autônomo dos EUA. Apesar de os porto-riquenhos não terem direito a voto, a ideia da campanha é influenciar a diáspora que vive no continente, principalmente na Flórida.

Jennifer O’Malley Dillon, chefe da campanha de Biden, disse que o democrata tem 5,5 milhões de doadores. Pelo menos, 1,1 milhão deles vieram apenas em setembro, a maior parte após o debate com Trump, há duas semanas. / NYT

 

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