Radek Pietruszka / Efe
Radek Pietruszka / Efe

Biden chama anexação da Crimeia à Rússia de 'roubo de terras'

Vice-presidente dos EUA e ministro da Grã-Bretanha disseram que novas sanções serão impostas contra Moscou

O Estado de S. Paulo,

18 de março de 2014 | 11h04

VARSÓVIA, POLÔNIA - O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, chamou as ações da Rússia na Crimeia de "roubo de terras" e advertiu que os EUA e a Europa vão impor novas sanções contra Moscou pela mobilização do país para anexar o território ucraniano.

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O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira, 18, que a "Crimeia sempre foi e é parte da Rússia". Putin assinou, com o primeiro-ministro da Crimeia, um tratado de anexação da península ucraniana.

Biden se reúne com governantes europeus nesta terça na Polônia para discutir a crise na Ucrânia e disse que o mundo está atento às ações da Rússia. "O mundo viu a verdade das ações da Rússia e rechaça o referendo na Crimeia", afirmou o vice-presidente.

A votação de domingo abriu caminho para a anexação do território à Federação Russa, já que 96,77% dos eleitores votaram por isso.

Segundo Biden, os EUA se juntam à Polônia e à comunidade internacional para condenar o que chamou de violação da soberania ucraniana e violação ao direito internacional. O vice-presidente americano já se reuniu com o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk.

A mobilização da Rússia aumenta a pressão sobre Biden para convencer os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de que os EUA não vão ficar de braços cruzados. Em reuniões na capital polonesa e, posteriormente, na capital da Lituânia, Vilnius, Biden discutirá a crise com os líderes da Estônia, Lituânia e Letônia - três nações bálticas que estão profundamente preocupadas com o que a intervenção militar russa na Crimeia pode significar para a região. Os quatro países fazem fronteira com a Rússia - a Polônia também faz fronteira com a Ucrânia.

Isolamento. O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, disse que Putin "escolheu o caminho do isolamento" ao anunciar a anexação da Crimeia. Em pronunciamento na Câmara dos Comuns, Hague reiterou que o referendo realizado domingo é "claramente ilegal" sob a Constituição ucraniana.

O ministro acrescentou que a consulta foi "uma farsa" e "uma zombaria da prática democrática" e anunciou que a Grã-Bretanha suspenderá a colaboração militar e suas licenças de exportação à Rússia de equipamentos que possam ser utilizados para aumentar o conflito na Ucrânia.

Hague reiterou aos deputados o desejo de ver uma Ucrânia "estável, próspera e unificada, livre de interferências estrangeiras", e elogiou "a contenção" do governo ucraniano frente a "a imensa pressão" da Rússia.

França. O presidente  François Hollande condenou a mobilização da Rússia para anexar a Crimeia, afirmando que a França não reconhecerá a separação da península da Ucrânia.

"Eu condeno essa decisão", afirmou Hollande, em comunicado divulgado hoje, após o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter assinado um tratado para anexar a Crimeia. "A França não reconhece os resultados do referendo realizado na Crimeia em 16 de março ou a anexação dessa região ucraniana à Rússia.  / AP e EFE

 

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