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Biden convoca cúpula sobre democracia com presença de Taiwan e irrita a China

Lista de convidados deixa de fora países considerados 'autocratas', como Rússia e China; encontro discutirá a 'crise da democracia' no mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2021 | 08h34

O presidente americano, Joe Biden, convidou 110 países — incluindo o Brasil — para uma cúpula virtual que discutirá democracia em dezembro. A lista tem países aliados dos Estados Unidos no Ocidente, mas também Iraque, Índia, Paquistão e Taiwan. A presença desse último causou mal-estar com a China, que, por sua vez, não foi convidada. 

Taiwan, uma ilha autônoma governada de forma democrática, tem seu território reivindicado por Pequim e é foco de tensão entre o país asiático e os EUA. O governo de Xi Jinping considera a ilha como uma província chinesa e acusa sua gestão de separatismo.

"A China mostra sua firme oposição ao convite feito pelos Estados Unidos às autoridades de Taiwan", declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian. Ele afirmou ainda que Taiwan é "parte inalienável do território chinês".

Nesta quarta-feira, 24, a porta-voz do Escritório de Assuntos sobre Taiwan da China, Zhu Fenglian, disse que a inclusão da ilha foi um "erro" e que Pequim se opõe a "qualquer interação oficial entre os EUA e a região chinesa de Taiwan". “Essa postura é clara e consistente. Exortamos os Estados Unidos a seguir o princípio de unidade da China”, afirmou.

Como pontuou o jornal britânico The Guardian, a diplomacia dos EUA reconhece que Pequim reivindica a ilha como uma província, mas não diz que consente com a reivindicação.

O governo de Taiwan, por outro lado, agradeceu a Joe Biden pelo convite. "Com esta reunião de cúpula, poderemos compartilhar nossa história democrática de sucesso", afirmou o porta-voz da presidência, Xavier Chang, em um comunicado.

Além da China, chama atenção a ausência de outros países na lista de países convidados. A Turquia, país-membro da Otan, também não foi chamada. Do Oriente Médio, apenas Israel e Iraque poderão participar do encontro virtual, deixando de fora aliados árabes tradicionais dos Estados Unidos, como Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Catar e Emirados Árabes Unidos

A Rússia, que também não recebeu convite de Biden, criticou a iniciativa dos Estados Unidos e acusou o país de semear a divisão. “Os EUA preferem criar novas linhas de separação, classificando os países como bons ou maus segundo sua opinião”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov

Desde a chegada de Biden à Casa Branca, sua política externa tem se concentrado na oposição entre democracias e "autocracias", como China e Rússia. Nesse sentido, a "Cúpula pela Democracia" é uma de suas prioridades, assim como uma de suas promessas de campanha.

"Para uma primeira cúpula, haveria boas razões para se ter uma ampla gama de atores presentes. Isso permite uma melhor troca de ideias", afirmou Laleh Ispahani, da Open Society Foundations, à agência de notícias France-Presse

Segundo Ispahani, além de constituir uma reunião anti-China, o encontro deve ser aproveitado por Biden para discutir “a crise que representa o sério declínio da democracia em todo o mundo, mesmo para modelos relativamente robustos como o dos Estados Unidos".

A cúpula foi organizada diante dos muitos reveses enfrentados por regimes democráticos nos últimos meses, sobretudo em países sobre os quais os Estados Unidos nutriam grandes esperanças. Entre eles, estão Sudão e Mianmar, onde houve golpes militares; Etiópia, em um conflito sob o risco de "implodir", segundo a avaliação de Washington; e o Afeganistão, onde o Taleban assumiu o poder depois que os EUA deixaram o país.

Os próprios Estados Unidos foram incluídos, pela primeira vez, na lista de “democracias em declínio” de um relatório da organização International Institute for Democracy and Electoral Assistance (IDEA), com sede em Estocolmo./AFP

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