Matt Rourke/AP
Matt Rourke/AP

Joe Biden define seu futuro na Carolina do Sul

Ex-vice-presidente tenta recuperar fôlego neste sábado, 29, após patinar nas primeiras primárias

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2020 | 06h00

WASHINGTON - O ex-vice-presidente Joe Biden começou o ano como favorito do Partido Democrata para disputar a presidência contra Donald Trump. Moderado, experiente, ele surfava nas pesquisas nacionais, dando força ao seu slogan eleitoral de que ele seria o único capaz de evitar a reeleição do presidente. 

Mas as duas primeiras prévias do partido, nos Estados de Iowa e New Hampshire, foram um balde de água fria – ele não passou de um quarto e de um quinto lugares. Pressionado e vendo sua candidatura murchar, Biden concentrou sua presença, os voluntários e seus cada vez mais escassos recursos na Carolina do Sul, apostando que ali sobreviveria.

A Carolina do Sul, onde os democratas votam hoje, é predominantemente um Estado republicano. Mas, para o Partido Democrata, se tornou o preferido do eleitorado negro. Cerca de 25% dos votos do partido nos EUA são de eleitores negros e, tradicionalmente, o candidato escolhido pelo partido é popular entre eles. Biden, que foi vice de Barack Obama, carrega o legado do primeiro negro a ocupar a Casa Branca.

No entanto, o crescimento de Bernie Sanders, depois de bons resultados em fevereiro, ameaça os planos de Biden. Em janeiro, uma pesquisa da East Carolina University apontava o ex-vice-presidente com 37% das intenções de voto no Estado. O número caiu para 28%, em meados de fevereiro, ao mesmo tempo em que o apoio a Sanders cresceu de 10% para 20%.

Segundo o site agregador de pesquisas FiveThirtyEight, Biden teria 37,6% dos votos nas primárias do Estado, batendo com folga Sanders (18,5%) e bem na frente do centrista Pete Buttigieg (8,3%). A recuperação viria em boa hora, depois de Biden ficar em segundo nas prévias de Nevada e ter passado sem arranhões pelo último debate.

Nos últimos dias, Biden conseguiu apoios significativos de democratas do Estado, como o deputado James Clyburn, e fez uma série de acenos ao eleitorado negro, como a promessa de indicar uma negra para a Suprema Corte dos EUA.

Perder para Sanders na Carolina do Sul deve forçar o ex-vice-presidente dos EUA, cuja campanha vem demonstrando dificuldades em arrecadação de fundos e mobilização de voluntários, a deixar a corrida eleitoral. 

Ganhar por uma margem apertada também não é o bastante para impulsionar sua candidatura. O tamanho da vitória na Carolina do Sul será vital para remodelar o cenário a apenas três dias da maior disputa das prévias: a Superterça, no dia 3, quando 40% dos delegados da convenção democrata estão em disputa. 

A avaliação de especialistas é a de que Biden pode levar, na terça-feira, parte dos eleitores moderados que têm optado por Bloomberg nas pesquisas, se demonstrar força hoje. A vitória de Biden na Carolina do Sul também pode ser uma boa notícia para os demais candidatos centristas, para diminuir o fôlego de Sanders, e uma má notícia para Trump, que tem apostado na polarização como estratégia para alcançar vitória em novembro. 

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