Biden delineia novo rumo da diplomacia

Em Munique, vice dos EUA alerta Rússia e acena ao Irã

NYT, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, dirigiu-se ontem diretamente à Rússia e ao Irã em seu pronunciamento na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, no qual delineou as linhas mestras do governo de Barack Obama para a área.Ele ressaltou que Washington seguirá pressionando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por um movimento de "cooperação intensa" entre os países aliados - incluindo a Rússia -, quando houver interesses comuns. Mas o vice de Obama ressaltou que os EUA não concordarão com a Rússia em tudo. Ele deixou claro que seu país não vai reconhecer a Abkházia e a Ossétia do Sul como Estados independentes, como pretende Moscou. Biden afirmou também não reconhecer a tese de uma zona de influência russa na Otan.Biden acrescentou que os EUA continuam interessados em desenvolver um sistema de defesa antimíssil, a ser instalado na Polônia e na República Checa. O projeto, criticado pelo Kremlin, seria necessário para "deter o crescente potencial do Irã", afirmou. Biden, porém, indicou que os EUA estão propensos ao diálogo com o Irã - na principal mudança em relação à diplomacia de George W. Bush. Mas condicionou a aproximação a concessões por parte de Teerã. "Se o Irã persistir no rumo em que está, haverá pressão e isolamento. Mas, se abandonar seu programa nuclear ilícito e interromper o apoio ao terrorismo, receberá incentivos significativos", declarou.O discurso de Biden frustrou algumas expectativas. O vice-presidente americano falou um dia depois de o representante russo, Serguei Ivanov, ter dito que Moscou não enviaria mísseis às proximidades da Polônia desde que os EUA reconsiderassem seu plano de defesa.Na véspera, o líder Parlamento iraniano, Ali Larijani, havia elogiado a decisão de Obama de nomear o ex-senador George Mitchell como enviado ao Oriente Médio. "É um sinal positivo", comemorou.

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