Leah Millis/Reuters
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Biden diz que desdém de Trump pelas mudanças climáticas é inescrupuloso

Democrata acusou Trump de falhar em proteger os EUA da devastação das mudanças climáticas e não agir para lidar com essa crise; em evento na Califórnia, presidente diz que o clima vai 'começar a esfriar'

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 15h56
Atualizado 14 de setembro de 2020 | 17h47

WILMINGTON, EUA - O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta segunda-feira, 14, que a recusa do presidente Donald Trump em reconhecer a realidade científica da crise climática é "inescrupulosa" e mais quatro anos com ele na Casa Branca tornarão os efeitos dos incêndios florestais e dos furacões ainda mais devastadores para o país.  O presidente, por sua vez, disse em um evento na Califórnia que o clima vai "começar a esfriar". 

O democrata acusou Trump de falhar em proteger os EUA da devastação das mudanças climáticas e não agir para lidar com essa crise.  "A negação das mudanças climáticas de Donald Trump pode não ter causado esses incêndios e inundações e furacões recordes, mas se ele conseguir um segundo mandato, esses eventos infernais continuarão a se tornar mais comuns, mais devastadores e mais mortais", disse Biden, falando de Wilmington, Delaware.

Em seu discurso, o candidato procurou enfatizar que os efeitos das mudanças climáticas têm consequências de amplo alcance. Ele apontou não apenas para incêndios florestais no oeste e furacões ao longo da costa do Golfo, mas também para secas que afetam os agricultores no Meio-Oeste e até mesmo ameaças relacionadas ao clima às instalações militares dos EUA em todo o mundo.

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"Furacões não desviam para evitar Estados vermelhos (republicanos) ou azuis (democratas). Os incêndios florestais não ignoram cidades que votaram de determinada maneira. Os impactos da mudança climática não são seletivos. Isso porque não é um fenômeno partidário. É ciência."

Embora Biden tenha deixado claro que não apoia o Green New Deal (proposta da oposição que trata de mudanças climáticas e desigualdades sociais), o candidato democrata apresentou um plano de energia limpa de US$ 2 trilhões como parte de sua agenda econômica nos últimos meses.

O plano, que foi aplaudido por ambientalistas, visa ampliar o uso de energia limpa em transportes, eletricidade e construção. Ainda assim, os progressistas estão pressionando Biden para ir mais longe e adotar o Green New Deal na íntegra.

"Quando Donald Trump pensa em mudança climática, ele pensa em uma farsa. Quando penso nisso, penso em empregos, empregos bem remunerados", disse Biden. "Vou colocar os EUA de volta na posição de liderança nas mudanças climáticas no mundo."

Os cientistas dizem que as condições mais quentes agravaram os incêndios na temporada deste ano, apontando para uma ligação clara entre as mudanças climáticas e os incêndios devastadores.

Ao mesmo tempo, Trump visita a Califórnia nesta segunda-feira onde se reúne com os bombeiros após os incêndios mortais ao longo da Costa Oeste. Em seus quatro anos de governo, ele tem desconsiderado repetidamente o impacto das mudanças climáticas, abandonou um importante acordo climático internacional e vem revogando as regulamentações ambientais.

Para o republicano, clima vai 'começar a esfriar'

Um dia antes da visita de Trump hoje à Califórnia, autoridades dos Estados da Costa Oeste associaram ontem o avanço do fogo à resistência do presidente em reconhecer o aquecimento global. Oregon, Califórnia e Washington já registram 33 mortes e dezenas de desaparecidos. A tragédia colocou o tema na campanha eleitoral, com Trump e Biden adotando discursos antagônicos. Trump atribuiu os incêndios à falta de manejo das áreas em chamas pelos seus rivais democratas.

Nesta segunda-feira, ao visitar McClellan Park na Califórnia, Trump sugeriu que o aquecimento global seria revertido e o clima "começará a esfriar". Enquanto conversava com um oficial local em uma reunião sobre os incêndios florestais que assolam o oeste do país, o presidente voltou a afastar as preocupações com a mudança climática, dizendo: "Vai começar a esfriar. Basta observar".

O funcionário em questão, Wade Crowfoot, diretor da Agência de Recursos Naturais da Califórnia, respondeu: "Gostaria que a ciência concordasse com você"./AP e AFP 

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