Elias Valverde/The Dallas Morning News via AP
Elias Valverde/The Dallas Morning News via AP

Biden diz que tomada de reféns no Texas foi ato de terrorismo; FBI identifica suspeito 

Sequestrador foi identificado como o cidadão britânico Malik Faisal Akram, de 44 anos, que aparentemente exigia a libertação de uma terrorista condenada

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2022 | 15h16
Atualizado 17 de janeiro de 2022 | 13h37

FILADÉLFIA - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, classificou, neste domingo, 16, como um ato de terrorismo a tomada de reféns ontem em uma sinagoga no Estado do Texas e pareceu confirmar que o agressor, que morreu depois, exigia a libertação da terrorista condenada Aafia Siddiqui

"Esse foi um ato de terrorismo relacionado a alguém que foi detido há 15 anos e está preso há 10 anos", declarou Biden à imprensa, durante uma visita a uma organização de ajuda contra a fome na cidade da Filadélfia.

O FBI (polícia federal americana) informou na tarde deste domingo que o sequestrador era um cidadão britânico de 44 anos chamado Malik Faisal Akram. "Neste momento, não há indicação de que outros indivíduos estejam envolvidos", disse um comunicado do FBI em Dallas, acrescentando que os investigadores continuam analisando evidências da sinagoga. 

Malik Faisal Akram foi baleado e morto depois que o último dos reféns foi solto por volta das 21h de sábado (hora local, meia-noite no Brasil) na Congregação Beth Israel, encerrando um impasse de 10 horas da polícia com o atirador, que interrompeu uma cerimônia e abordou o rabino e três outras pessoas como reféns.

Um refém foi libertado ileso depois de ser mantido por seis horas e os três restantes foram posteriormente libertados com segurança pela equipe do FBI. Repórteres no local, na noite de sábado, disseram que ouviram o som de explosões, possivelmente bombas de efeito moral, e o som de tiros na sinagoga, que fica a cerca de 26 km a nordeste de Fort Worth.

As porta-vozes do FBI e da polícia se recusaram a responder perguntas no sábado à noite sobre quem atirou em Akram quando o impasse terminou. 

Equipes da SWAT do Departamento de Polícia de Colleyville se dirigiram à sinagoga depois que as chamadas de emergência começaram por volta das 10h41 durante o culto de sábado, que estava sendo transmitido online. Os negociadores do FBI logo abriram contato com o homem, que disse que queria falar com uma mulher detida em uma prisão federal.

Lady Al-Qaeda

No comunicado, o FBI não forneceu um possível motivo para a ação. Akram, porém, pode ser ouvido reclamando em uma transmissão ao vivo pelo Facebook e exigindo a libertação de uma neurocientista paquistanesa que foi condenada por tentar matar oficiais do Exército dos EUA no Afeganistão. 

Siddiqui, que é conhecida em círculos de contraterrorismo como Lady Al-Qaeda, era ligada ao líder de grupo dos ataques do 11 de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed, e já fez parte da lista do FBI de terroristas mais procurados. 

Educada nos EUA - ela estudou no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) - Siddiqui foi presa em 2008 no Afeganistão transportando cianeto de sódio, além de documentos descrevendo como fazer armas químicas e bombas sujas e como usar o Ebola como arma.

O sequestrador afirmou ser irmão da neurocientista, que está cumprindo uma sentença de 86 anos de prisão nos EUA por sua condenação de 2010 por atirar em soldados e agentes do FBI - enquanto agentes interpelavam Siddiqui, ela agarrou uma arma deixada sobre a mesa na sala de interrogatório e disparou neles.

Siddiqui está detida em uma prisão federal na área de Fort Worth. Um advogado que a representa, Marwa Elbially, disse à CNN em comunicado que o homem não era irmão de sua cliente e a família de Siddiqui condenou suas ações hediondas.

Embora a situação dos reféns no Texas parecesse um incidente isolado, as sinagogas em Nova York e em outros lugares do país aumentaram a segurança em resposta.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido confirmou neste domingo a morte de um britânico no Texas, em um comunicado divulgado à imprensa./AFP e AP

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