EFE/EPA/GABRIELLA DEMCZUK FOR CNN
EFE/EPA/GABRIELLA DEMCZUK FOR CNN

Biden e Sanders prometem ter uma mulher como vice

Na questão ambiental, ex-vice disse que enviará US$ 20 bilhões para a Amazônia; senador quer se livrar de combustíveis fósseis

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 03h00

WASHINGTON - Em seu primeiro debate como únicos pré-candidatos democratas, o ex-vice-presidente Joe Biden e o senador Bernie Sanders destacaram suas diferenças de maneira cordial e fizeram questão de ressaltar que apoiarão imediatamente quem for indicado para enfrentar Donald Trump em novembro.

Questionados sobre o pretendem fazer contra a desigualdade de gênero, ambos se comprometeram a escolher uma mulher como vice. Ambos têm disputado o apoio da senadora Elizabeth Warren, que entre outras propostas defende educação gratuita, pelo menos parcial, no ensino universitário. Sanders afirmou que apoiava essa proposta há quatro anos, enquanto Biden só aderiu a ela agora. 

“Isso é liderança. É ter coragem de defender uma proposta quando ela era considerada radical”, afirmou o senador. Biden disse então ter tomado posições minoritárias, ao ser um dos primeiros a defender o casamento gay. Biden provocou o rival afirmando que “as pessoas querem resultados, não uma revolução”. Sanders se apresenta como um socialista democrático.

O primeiro tema da noite foi a crise sanitária causada pela entrada do coronavírus nos EUA. Sanders se mostrou contrário a um socorro a bancos e empresas afetados pela redução no ritmo econômico, mencionando a ajuda estatal dada na crise de 2008. Biden defendeu a medida adotada na época, dizendo que os bancos devolveram os empréstimos. 

Em uma pergunta que relacionava o coronavírus ao medo dos imigrantes ilegais de se apresentar em hospitais e serem deportados, ambos afirmaram que os estrangeiros nesta condição não deveriam ser detidos. Diante da pergunta sobre o que estavam fazendo para se proteger da infecção pelo vírus, uma vez que são septuagenários, Sanders disse sorrindo que havia evitado apertar a mão de Biden. O ex-vice-presidente de Barack Obama devolveu o sorriso. 

O clima amistoso permeou o debate, no qual ambos passaram a se chamar pelos apelidos “Joe” e “Bernie”. Atrás na busca por delegados que garantem a indicação do partido, Sanders foi mais agressivo. Questionou se Biden, quando senador, já havia votado pelo corte em investimentos na seguridade social. Após a negativa do rival, afirmou que os espectadores do debate - transmitido em um estúdio sem plateia da CNN em Washington - procurassem a verdade na internet. “Vão para o YouTube e vejam. Você pode defender sua posição e pode mudar de ideia, mas não pode dizer que não disse”, afirmou Sanders.

Biden demonstrou neste momento alguma insegurança, mas em linhas gerais teve mais desenvoltura que nos debates anteriores, quando pareceu confuso diante das interrupções e perguntas de vários pré-candidatos.

Sanders voltou a atacar bilionários e tentou associar Biden à imagem de defensor dos ricos. O ex-vice exaltou então sua proposta de financiamento público de campanha, que em sua visão diminuiria o peso do poder econômico na disputa pela presidência.

Quando questionados sobre as mudanças climáticas, Biden afirmou que pretendia destinar US$ 20 bilhões para a proteção da Amazônia “que está sendo destruída” e mencionou o Brasil. Sanders reforçou seu plano de evitar a dependência de combustíveis fósseis. Biden criticou Sanders por ter sido um dos poucos democratas e a votar contra a possibilidade de acionar fabricantes de armas na Justiça.

Ambos enfatizaram que seu grande objetivo é tirar Trump do poder. “Se eu não for o indicado, o apoiarei desde o dia 1”, afirmou Sanders. “Discordamos nos detalhes de como fazer muitas coisas sobre as quais concordamos”, afirmou Biden, ao que Sanders respondeu: “Esses detalhes importam muito”.

“Se houver mais 4 anos de Trump, isso mudará a essência do que nós somos como nação”, disse Biden. “É o presidente mais perigoso da história. Um mentiroso patológico, racista e homofóbico”, acrescentou Sanders. 

AS DIFERENÇAS ENTRE OS DOIS DEMOCRATAS

Serviço de Saúde

  • Biden

Uma das maiores diferenças entre os candidatos é que Biden não apoia um programa de seguro saúde universal bancado pelo governo. Pelo contrário, defende a manutenção do sistema de seguro de saúde privado, com subsídio - uma proposta que vai bem além do Obamacare. Ele calcula que seu plano implicará um gasto de US$ 750 bilhões em dez anos.

  • Sanders

Um dos princípios fundamentais da campanha de Sanders é que o serviço de saúde é um direito humano universal. Sanders estima que o seu plano custará US$ 30 trilhões num período de 10 anos, que serão pagos por novas receitas de cerca de US$ 17,5 trilhões, com “os atuais gastos de governos federais, estaduais e municipais”.

Coronavírus

  • Biden

Segundo o ex-vice-presidente, o novo coronavírus se tornou rapidamente o problema mais urgente do país. Ele divulgou um plano estabelecendo testes grátis, “a eliminação de todas as barreiras de custo para tratamento e cuidados preventivos”, e licença de emergência paga para os trabalhadores. 

  • Sanders

Sanders esboçou seu plano em discurso na quinta-feira. Segundo ele, deveria ser declarado estado de emergência nacional (o que Trump fez posteriormente), aprovado um financiamento de emergência para pagamentos de licenças por doença, além da expansão dos centros de saúde comunitários, e, por fim, decretar que todos os medicamentos para o coronavírus sejam vendidos a preço de custo.

Dívida estudantil

  • Biden

Biden pretende criar faculdades comunitárias com cursos de dois anos e “outros programas de treinamento de alta qualidade”, livres de dívidas, mas não cancelará a dívida hoje existente, como Sanders propõe. Seu plano, contudo, inclui um perdão do saldo remanescente no caso de pessoas que direcionaram 5% da sua renda para pagamento de seus empréstimos por 20 anos.

  • Sanders

O senador deseja tornar todas universidades e faculdades públicas gratuitas, cancelar toda a dívida relativa a empréstimos estudantis - cerca de US$ 1,6 trilhão devido por 45 milhões de americanos - e limitar os juros sobre essa dívida a 1,88%.

Mudança climática

  • Biden

O plano de Biden para combater a mudança climática, avaliado em US$ 1,7 trilhão, prevê uma energia totalmente sem carbono e emissões zero de carbono em 2050. O plano ainda estabelece um fim dos subsídios para combustíveis fósseis, mas continuaria subsidiando a energia limpa. 

  • Sanders

Sanders propõe um Green New Deal, com gasto de US$ 16,3 trilhões, onde está previsto que os setores elétrico e de transporte estejam livres de carbono em 2030 e o fim dos combustíveis fósseis até 2050.

Imigração

  • Biden

O ex-vice-presidente pretende anular as políticas de imigração do governo Trump e criar uma via para imigrantes ilegais adquiram cidadania. Contrariamente a Sanders, ele não pretende descriminalizar travessias.

  • Sanders

Sanders defende uma moratória sobre as deportações no aguardo de uma revisão do sistema de imigração vigente. Além disto, ele tem respaldado o movimento para extinguir agências federais como o Serviço de Imigração e alfândega e de proteção de fronteira.

Desigualdade de renda

  • Biden

O ex-vice-presidente quer fortalecer os contratos coletivos e responsabilizar os executivos que constranjam sindicatos. Ele defende um salário mínimo de US$ 15 a hora e impostos maiores para empresas e investidores ricos. 

  • Sanders

O senador tem sugerido cobrar um imposto sobre a riqueza e um imposto progressivo sobre a propriedade. Ele pretende também desmembrar os grandes bancos. / NYT, TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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