Tom Brenner/REUTERS
Tom Brenner/REUTERS

Biden elogia protestos em Cuba: ‘Toque de clarim por liberdade’

Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, também comentou manifestações, afirmando que a ilha comete um ‘grave erro’ ao acusar americanos de envolvimento

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2021 | 18h11

WASHINGTON - O presidente americano, Joe Biden, classificou nesta segunda-feira, 12, os protestos em Cuba como "notáveis", afirmando que as marchas, as maiores anti-governamentais registradas nas últimas décadas, são "um toque de clarim por liberdade".  

“O povo cubano exige sua liberdade de um regime autoritário. Eu acho que não vemos algo assim há muito tempo, talvez nunca", disse Biden em uma breve conversa com repórteres antes de uma reunião para discutir a violência armada nos EUA.

Os comentários indicam um tom bem diferente do empregado pelo antigo chefe de Biden, Barack Obama, que como presidente procurou aliviar décadas de tensão entre Washington e Havana enquanto afrouxava as sanções econômicas impostas pelos EUA.  O esforço foi revertido pelo republicano Donald Trump, que limitou as viagens dos EUA à ilha e proibiu transações financeiras americanas com dezenas de empresas cubanas, entre outras medidas.

"Apoiamos o povo cubano e seu clamor por liberdade e alívio das trágicas garras da pandemia e das décadas de repressão e sofrimento econômico a que tem sido submetido pelo regime autoritário de Cuba'', disse Biden em comunicado publicado mais cedo, tamém nesta segunda-feira. "O povo cubano está bravamente fazendo valer os direitos fundamentais e universais.''

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou nesta segunda-feira que os protestos são motivados por uma frustração ampla, classificando as manifestações como "expressões espontâneas de pessoas que estão exaustas com a má gestão econômica e repressão do governo".

'Reflexo do povo cubano'

Em entrevista coletiva  nesta segunda-feira, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, respondeu à acusação feita pelo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, de que mercenários pagos pelo governo dos Estados Unidos teriam organizado os protestos, afirmando que a ilha cometeu um "grave erro".

De acordo com Blinken, as manifestações são reflexo de um povo profundamente cansado de má administração e repressão por parte  das autoridades cubanas.

"Seria um grave erro para o regime cubano interpretar o que está acontecendo em dezenas de localidades como o produto de (uma ação dos) Estados Unidos", declarou. "Eles são um reflexo do povo cubano, não dos Estados Unidos ou de um agente estrangeiro", enfatizou.

Díaz-Canel também atribuiu ao embargo comercial dos EUA sobre Cuba grande parte da grave crise humanitária e sanitária que o país caribenho enfrenta.

Os protestos de domingo foram os maiores vistos no país desde o chamado "maleconazo", de agosto de 1994. Cuba enfrenta uma grave crise econômica e de saúde, pandemia fora de controle, e uma grave escassez de alimentos, remédios e outros bens básicos, assim como longos e rotineiros cortes de energia elétrica.  /AP e EFE

 

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