REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

Biden fecha acordo com democratas no Senado para aprovar US$ 1,9 tri para combater a covid

Acordo aconteceu horas depois do início dos debates sobre o projeto na Casa, como parte de um esforço da Casa Branca para garantir a fidelidade dentro do partido 

Beatriz Bulla / Correspondente, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 21h37

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou a um acordo com democratas no Senado sobre o pacote econômico de US$ 1,9 trilhão para combater a covid-19, a principal medida que o novo governo tenta emplacar para oferecer alívio financeiro aos americanos em meio à pandemia e injetar recursos em mais testes e distribuição de vacinas. 

Com o acordo, Biden atendeu democratas moderados ao concordar com limites mais rígidos de quem poderá receber a rodada de pagamentos de US$ 1,4 mil.

Ele já vinha sinalizando que não abriria mão do valor do pagamento, mas poderia concordar em reduzir a quantidade de pessoas que receberiam o dinheiro. O acordo aconteceu horas depois do início dos debates sobre o projeto no Senado americano, como parte de um esforço da Casa Branca para garantir a fidelidade dentro do partido. 

Com o Senado dividido entre 50 senadores democratas e 50 republicanos, a Casa Branca não pode abrir mão de nenhum voto do próprio partido do presidente. 

Biden trabalha para ter o voto de 10 senadores republicanos - para obter uma maioria de 60. No entanto, caso não consigam os votos, os democratas devem recorrer a um mecanismo conhecido como "reconciliação orçamentária" para aprovar o pacote com maioria simples. Os republicanos usaram o mesmo procedimento para contornar uma obstrução e aprovar o corte de impostos proposto por Donald Trump em 2017.

Em entrevista coletiva, a porta-voz do governo, Jen Psaki, disse que Biden tem segurança de que possui os 50 votos dos democratas do Senado, sem deserções, e que estava aberto à negociação encampada pela ala moderada do partido. 

"Não temos uma lei final. Temos discussões em andamento. Ele está confortável e sabe que haverá ajustes na margem. Seu ponto de vista firme é que a lei precisa atender ao desafio, precisa ser do tamanho que ele propôs, precisa ter os componentes principais para ter impacto ao povo americano", disse Psaki. 

De acordo com o jornal Washington Post, com base no think thank Institute on Taxation and Economic Policy, a nova proposta deixaria de fora dos pagamentos 12 milhões de adultos e 5 milhões de crianças, na comparação com a versão anterior. Cerca de 280 milhões de americanos no total, entre adultos e crianças, ainda seriam beneficiados pelo pacote.

Republicanos devem apresentar sugestões de emenda, como a previsão de reduzir a previsão de pagamento adicional de US$ 400 semanais ao salário-desemprego até agosto, além da proposta de redução do valor de US$ 1,4 mil.

Do outro lado, a ala progressista do partido democrata reclama da decisão de retirar da discussão a proposta de aumento do salário mínimo -- algo que a ala de centro mostrou resistência.

Como senador e depois vice-presidente de Barack Obama, Biden ficou conhecido como um político conciliador que trabalhava pela busca de consensos e projetos bipartidários. Ao chegar à Casa Branca, prometeu seguir a mesma trajetória e conquistar votos de republicanos favoráveis ao seu principal e primeiro plano.

As rodadas de pagamento de auxílio desemprego começarão a secar em 14 de março, o que faz com que governo e congressistas corram para tentar aprovar um pacote de socorro econômico ainda nesta semana. Lideranças dos dois lados, no entanto, esperam longas noites de votação. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.