Chip Somodevilla/Getty Images/AFP
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Biden incentiva união nacional a 48 horas de assumir a presidência dos EUA

Democrata participou de distribuição de alimentos na Filadélfia em comemoração ao Dia de Martin Luther King Jr

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2021 | 18h54

PENSILVÂNIA - A dois dias de se tornar o 46º presidente dos Estados Unidos, Joe Biden incentivou nesta segunda-feira, 18, a união nacional com trabalhos de voluntariado, enquanto o presidente Donald Trump passou o dia entrincheirado na Casa Branca em uma capital repleta de militares e barreiras de segurança.

No Dia de Martin Luther King Jr., feriado que os americanos tradicionalmente dedicam ao serviço comunitário, o futuro presidente democrata viajou de sua casa, em Delaware, para o Estado vizinho da Pensilvânia para participar da distribuição de alimentos para uma organização beneficente na Filadélfia. "O serviço é uma forma adequada de começar a curar, unir e reconstruir este país que amamos", disse Biden em um vídeo postado no Twitter.

Mas esse gesto do democrata de 78 anos, que simboliza seus pedidos de reconciliação após quatro anos de polarização política, enfrenta a dura realidade de múltiplas crises.

 A pandemia de covid-19 castiga sem trégua os americanos, a distribuição de vacinas segue lentamente e a recuperação econômica continua incerta. E após a recusa de Trump em aceitar sua derrota eleitoral em novembro, o país está mais dividido e exasperado do que nunca.

Alarme falso

Washington segue em choque pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro, quando uma multidão de simpatizantes de Trump invadiu a sede do Congresso na tentativa de invalidar a certificação da vitória de Biden.

A invasão deixou cinco mortos e provocou a segunda acusação de Trump pela Câmara dos Deputados desta vez por "incitar a insurreição", depois de ter sido absolvido pelo Senado em outro processo de impeachment em 2019.

Quando Biden for empossado na quarta-feira, em uma plataforma montada na Ala Oeste do Capitólio, até 25 mil efetivos da  Guarda Nacional vão patrulhar a cidade.

A enorme esplanada do Passeio Nacional (National Mall), onde os americanos costumam ir em massa para assistir à cerimônia a cada quatro anos, também ficará fechada.

Postos de controle e grandes áreas de acesso bloqueado significam que haverá apenas poucos convidados. Medidas similares foram implementadas nos Capitólios estaduais de todo o país, onde as autoridades locais temem provocações de grupos de direita.

Quase 70 manifestantes foram acusados de participar da invasão ao Capitólio e centenas de pessoas estão sendo investigadas, entre elas legisladores e ex-membros ou membros ativos da polícia.

Para garantir que a própria Guarda Nacional não represente um risco para a segurança, o FBI informou que está verificando os antecedentes dos reservistas. "Queremos nos assegurar de que temos as pessoas adequadas", disse à Fox News o general William Walker, chefe da Guarda Nacional de Washington.

Um ensaio da cerimônia de posse foi interrompido na manhã da segunda-feira e os participantes foram levados a um local seguro devido a uma "ameaça externa", informou a Polícia sobre o incidente, que se revelou um alarme falso.

Trump avalia indultos

Trump, que ainda não cumprimentou Biden nem o convidou a tomar chá no Salão Oval, como é tradição, esteve em grande parte ausente do cenário político nos últimos dias.

O presidente republicano prevê partir cedo na quarta-feira à sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida. Ele será, assim, o primeiro presidente a não assistir à posse de seu sucessor desde Andrew Johnson, em 1869.

O helicóptero Marine One o levará da Casa Branca à Base Conjunta Andrews para embarcar no Air Force One, o avião presidencial que não poderá usar a partir do meio-dia. E segundo informações da Bloomberg, ele estaria organizando uma despedida militar para si próprio.

Mas antes de deixar o cargo, o bilionário se prepara para indultar ou comutar as penas de prisão de uma centena de pessoas.

Segundo a CNN e outros veículos, Trump tem uma lista de umas cem pessoas às quais concederá clemência. Os possíveis indultos mais polêmicos seriam para Edward Snowden, Julian Assange e o ex-assessor ultradireitista de Trump, Stephen Bannon.

Nos últimos meses, Trump indultou colaboradores e parentes condenados na investigação de um possível conluio entre a Rússia e sua equipe de campanha em 2016. Todos tinham em comum sua falta de cooperação com a justiça. "E se Trump perdoar os terroristas que invadiram o Capitólio?", questionou a líder dos democratas na Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi.

Aumenta também a especulação sobre se Trump dará o passo sem precedentes e legalmente nebuloso de outorgar indultos preventivos a si próprio e seus filhos, que foram assessores de campanha e da Casa Branca. Se o fizer, seria um fim politicamente explosivo para seu já tumultuado mandato e poderia gerar revolta entre os republicanos do Senado, que deve iniciar em breve um julgamento político contra ele. /AFP

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