Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Biden instrui Estados a abrir vacinação contra covid para todos os adultos até 1º de maio

Previsão de liberar a vacina para todos os americanos no primeiro dia de maio não significa que todos tomarão a vacina até a data, mas que todos os adultos poderão entrar na fila para a imunização

Beatriz Bulla / Correspondente, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2021 | 21h08
Atualizado 12 de março de 2021 | 18h53

WASHINGTON - Em seu primeiro pronunciamento à nação desde que assumiu a Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, instruiu que os governos estaduais tornem todos os americanos elegíveis para receber a vacina contra o coronavírus até 1º de maio. Com isso, prometeu Biden, o país deve voltar a viver com certa normalidade na celebração do Dia da Independência americana, em 4 de Julho. Mas, para chegar lá, o presidente fez um apelo para que os americanos tomem a vacina: "Eu sei que elas são seguras", disse.

Com o discurso, o presidente dos EUA aponta a luz no fim do túnel para o país mais afetado pela covid-19, com maior número de contaminados e mortos no mundo, exatamente um ano depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o coronavírus uma pandemia mundial. Até hoje, os EUA registraram mais de 29 milhões de casos e 530 mil mortes por covid-19. "Mais mortes do que na 1ª Guerra, 2ª Guerra, Guerra do Vietnã e o 11 de Setembro somados", disse Biden, que homenageou as vítimas no pronunciamento desta noite.

A previsão de liberar a vacina para todos os americanos no primeiro dia de maio não significa que todos tomarão a vacina até a data, mas que todos os adultos poderão entrar na fila para a imunização. No momento, a maioria dos Estados permite a vacinação de idosos com mais de 65 anos, pessoas de qualquer idade com condições médicas que agravam quadros de covid-19 e categorias profissionais determinadas. A ideia é fazer com que qualquer pessoa possa buscar a vacina a partir de maio.

"Eu disse que pretendia colocar 100 milhões de doses nos braços nos meus primeiros 100 dias. Nós vamos superar essa meta. Nenhum outro país no mundo fez isso. Nenhum", disse Biden. Quando Biden chegou ao governo, os EUA vacinavam menos de 1 milhão de pessoas por dia. O ritmo foi acelerado e a média diária atual é de mais de 2 milhões de doses aplicadas. O país vacinou 64 milhões de pessoas até agora, das cerca de 260 milhões elegíveis para a imunização, o que corresponde a cerca de 19% da população. Destas, 33 milhões já são consideradas completamente imunizadas, pois receberam as duas doses de vacina exigidas. 

Biden retomou o mote do discurso que fez na convenção democrata, que o consagrou como candidato à presidência dos EUA pelo partido, em agosto do ano passado, e disse nesta noite que os EUA estão "encontrando a luz no meio da escuridão". O sentimento de otimismo com a perspectiva da vacinação tem animado a população do país. Mais de três quartos dos americanos (77%) acreditam que o pior da pandemia já passou, o mais alto nível de otimismo registrado pela pesquisa da emissora CNN conduzido pelo instituto SSRS. 

Com o apelo à vacinação, Biden tenta convencer a parcela dos americanos que ainda desconfia dos imunizantes. O número de pessoas que não pretende se vacinar tem caído nos últimos meses, mas ainda representa 30% da população, segundo o Pew Research Center. Entre a população negra, a desconfiança é maior.  Hoje, os EUA lançaram uma campanha na qual ex-presidentes como George W. Bush, Bill Clinton e Barack Obama, além de ex-primeiras damas, são mostrados recebendo a vacina.

"Não há hipérbole, eu preciso de vocês", disse Biden. "Eu preciso que vocês se vacinem quando for a sua vez. Quando você tiver uma oportunidade, ajude sua família, seus amigos e seus vizinhos a se vacinarem também", afirmou.  "Se fizermos nossa parte, em 4 de Julho há uma grande chance de que você, sua família e seus amigos vão ter um churrasco no seu jardim para celebrar", disse Biden. "Vamos marcar não só a nossa independência como nação, mas nossa independência desse vírus", afirmou Biden. 

"Ouçam o Dr. (Anthony) Fauci, uma das vozes mais distintas e confiáveis do mundo. Ele nos garantiu que as vacinas são seguras. E há uma revisão científica rigorosa. Eu sei que elas são seguras", disse Biden. Sem a dedicação da população e a vigilância constante, disse Biden, as condições podem mudar e novas restrições podem ser estabelecidas novamente. "Por favor, não queremos fazer isso de novo. Nós tivemos muito progresso", disse.

Há um ano, os EUA entraram em um ciclo sombrio de restrições e mortes em razão da pandemia de covid-19. Um dia depois de a OMS declarar a situação uma pandemia, o então presidente, Donald Trump, anunciou a restrição de entrada de passageiros que estavam na Europa e Reino Unido, para tentar conter a propagação do vírus nos EUA, mas a pandemia já havia se alastrado pelo país. O número de contaminados e de mortos em Nova York, primeiro epicentro da pandemia no país, já crescia exponencialmente, até o Estado registrar mais de 1 mil mortes por dia em meados de abril. 

Além da mensagem de esperança, em linha com o discurso com o qual concorreu à Casa Branca, Biden pediu que os americanos se comprometam com o uso de máscaras e com a continuidade do distanciamento social. O recado vem em meio à decisão de cada vez mais Estados de reabrir significativamente o comércio e revogar exigências de uso de máscara em locais públicos, apesar dos alertas do governo de que as medidas são necessárias mesmo com o início da vacinação.

"Meus compatriotas americanos, vocês não merecem nada menos do que a verdade. E para todos vocês que perguntam quando as coisas vão voltar ao normal, aqui está a verdade. O único jeito de ter nossas vidas de volta, de ter nossa economia de volta no rumo, é vencer o vírus", disse Biden. O discurso contrasta com a retórica do antecessor, Donald Trump, que defendia a volta à normalidade em meio à pandemia e o relaxamento das restrições de circulação para reativar a economia. 

O pronunciamento aconteceu horas após Biden assinar a lei que autoriza seu pacote de US$ 1,9 trilhão de socorro econômico a famílias, negócios, Estados e municípios que sofrem com as consequências da pandemia. O governo americano também injetará recursos na distribuição e aplicação de vacinas que, segundo Biden, será mais ágil nos próximos meses.

Os EUA compraram mais doses de vacina do que o necessário para imunizar a população. Publicamente, Biden anunciou que até o fim de maio haverá doses suficientes para todos os americano. A orientação de hoje para que Estados ampliem e acelerem a elegibilidade para a vacina, no entanto, é o sinal de que nos bastidores a Casa Branca considera que conseguirá o número de doses necessárias antes do previsto. Os EUA contam com três vacinas aprovadas pela FDA, a Agência de Regula Alimentos e Medicamentos, para uso emergencial: os imunizantes da Pfizer, da Moderna e da Johnson. 

No discurso, o presidente condenou "cruéis crimes de ódio contra americanos asiáticos que foram perseguidos, acusados e transformados em bodes expiatórios", em razão do estigma pelo fato de o coronavírus ter sido identificado na China. A perseguição aos asiáticos, disse Biden, "é errado, não é americano e deve parar".

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