Biden leva apoio dos EUA a diálogo de paz colombiano

Em visita a Bogotá, vice americano qualificou o país de 'liderança crescente' no hemisfério e elogiou criação da Aliança do Pacífico

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL / BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2014 | 02h04

Em visita à Colômbia apenas três dias depois da reeleição do presidente Juan Manuel Santos, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deu apoio explícito do governo americano ao processo de paz na Colômbia. Biden qualificou o país de uma "liderança crescente" no Hemisfério Ocidental e uma "sociedade transformada pelo sangue e pelos sacrifícios".

Ele elogiou especialmente a iniciativa de Santos de lançar a Aliança do Pacífico, fórum que reúne quatro países da América Latina e do qual o Brasil e seus sócios do Mercosul não tomam parte.

"No Senado, ajudei a redigir e acompanhei o Plano Colômbia. Nada me faria mais feliz do que testemunhar a assinatura dos acordos de paz. Sei que o senhor está determinado a alcançá-los", declarou Biden ao final do encontro reservado ao referir-se ao plano americano de financiamento e apoio técnico para o combate ao narcotráfico.

"Agradecemos esse apoio de imensa importância ao processo de paz", disse Santos. Em seguida, ele disse que seu governo e a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) trabalham em um acordo de cooperação para a fase pós-conflito.

O recado da Casa Branca em favor das negociações de paz entre o governo de Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) surge em tempos de redução do orçamento do governo dos Estados Unidos para o Plano Colômbia. Para este ano, o Departamento de Estado havia pedido ao Congresso americano o aporte de US$ 323 milhões para a Colômbia, cifra US$ 61 milhões menor do que a prevista dois anos atrás. Na década passada, o aporte anual foi, em média, de US$ 600 milhões.

Nos últimos anos, os Estados Unidos passaram a dar prioridade ao combate aos cartéis do México e da América Central.

A reeleição de Santos - por apenas 5 pontos porcentuais de diferença de seu adversário Óscar Iván Zuluaga - curiosamente era dada como certa pela Casa Branca. Funcionários de alto escalão do governo americano afirmaram à imprensa na semana passada, sob a condição de anonimato, que a visita de Biden tinha o objetivo de "demonstrar ao governo colombiano e ao povo da Colômbia que os Estados Unidos sempre estarão na primeira linha de apoio a suas aspirações".

A mensagem teria outro tom se estivesse no horizonte de Washington a vitória de Zuluaga, afilhado político do ex-presidente Álvaro Uribe e defensor da suspensão das negociações de paz com a guerrilha.

Pouco antes do encontro entre Santos e Biden, o Exército colombiano disse ter desarmado um carro-bomba deixado pelos guerrilheiros das Farc a poucos metros da prefeitura de Miranda, no Departamento de Cauca. Também divulgou a prisão de Tribilin, nome de guerra de um militante das Farc com 12 anos de atividade na guerrilha e responsável por ataques a nove municípios.

Vistos. Ao lado de Biden, Santos destacou ser importante a conclusão do acordo bilateral que permitirá aos cidadãos colombianos ingressar nos Estados Unidos sem a necessidade de visto. Washington concedeu esse benefício a outro aliado na América do Sul, o Chile. Na semana passada, como destacou o presidente colombiano, houve uma nova rodada de negociações sobre o tema. Por enquanto, não há sinais da Casa Branca de que esse acordo possa ser concluído em breve.

O embaixador colombiano em Washington, Luís Carlos Villegas, estima uma negociação de mais seis a oito anos. A Colômbia negocia em paralelo a suspensão de visto com a União Europeia.

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