Calla Kessler/The New York Times
Calla Kessler/The New York Times

Biden lidera intenções de voto para presidente, mas tem menos exposição que Trump 

Em pesquisa nacional, democrata aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o atual presidente republicano, com 38%

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 18h26

WASHINGTON - O ex-vice-presidente democrata Joe Biden lidera as intenções de voto para a presidência dos Estados Unidos, segundo pesquisa eleitoral divulgada nesta segunda-feira, 27, pelo jornal USA Today e realizada em parceria com a Universidade de Suffolk. Em âmbito nacional, Biden aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o atual presidente republicano, Donald Trump, com 38%.

O USA Today destaca que, na pesquisa realizada em dezembro de 2019, quando Trump enfrentava o processo de impeachment, o atual presidente liderava as intenções de voto com 44%, ante a 41% de Biden.

No entanto, a crise do coronavírus deixou Biden confinado em sua casa. Apesar do fato de Biden ter conquistado apoio significativo nas últimas semanas, como do ex-presidente Barack Obama e de seu ex-rival nas primárias Bernie Sanders, seu nome desapareceu do noticiário por conta do confinamento causado pela pandemia da covid-19. 

Nesta segunda-feira, Biden ganhou o apoio da presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, que enfatizou que durante a emergência do coronavírus "ele era uma voz da razão e da resiliência com uma estratégia clara" para sair da crise. 

Biden, de 77 anos, agradeceu o apoio da poderosa e popular Pelosi e se declarou "extraordinariamente honrado".

O ex-vice-presidente não é ainda o candidato oficial do Partido Democrata, o que será anunciado na convenção nacional, que foi adiada para agosto devido ao coronavírus.

Mas após a desistência de Sanders, Biden desfruta de um espaço privilegiado que Hillary Clinton não possuía em 2016, pois precisou esperar até junho para ser declarada vencedora nas primárias. 

A crise da covid-19 nos Estados Unidos, onde há quase 1 milhão de casos confirmados, forçou a suspensão da campanha, e a presença de Biden é limitada a declarações virtuais feitas a partir de um estúdio de televisão instalado no porão de sua casa. 

Mas seus discursos não têm o tempo de exposição que outras personalidades democratas, como o governador de Nova York, Andrew Cuomo, ou a própria Pelosi possuem na mídia. 

Sua falta de brilho e energia não passaram despercebidos pelos republicanos e especialmente por Trump, que zomba de sua aparência de confinado. 

Do outro lado da balança, Trump beira a superexposição, com declarações às vezes precipitadas, como quando na semana passada sugeriu ao vivo em uma conferência de imprensa o uso de injeção de desinfetante para combater o coronavírus. 

"Biden fará desta eleição um referendo sobre Trump", diz Kyle Kondik, cientista político da Universidade da Virgínia. 

"O fato de Trump dominar hoje, e não Biden, não é um problema", diz o acadêmico, que ressalta que isso não levou a um aumento no apoio ao presidente.

Uma acusação pendente 

Mas há outra frente que ameaça sua candidatura, uma antiga acusação de agressão sexual que sua equipe nega. Tara Reade, uma funcionária que trabalhava em seu escritório na década de 90, afirmou em um podcast transmitido em março que o então senador a assediava e agredia sexualmente. 

Vários meios de comunicação americanos relataram o caso, que a equipe de campanha de Biden negou. 

Há um ano, Reade fazia parte de um grupo de mulheres que acusavam Biden de comportamento inapropriado e desrespeitoso em relação a elas, mas depois não mencionaram o ataque. 

O jornal New York Times entrevistou pessoas que trabalharam com Biden no início dos anos 90. Várias delas alegaram não ter ouvido nada sobre isso e que esse tipo de acusação não corresponde à personalidade de Biden. 

Um amigo de Reade confirmou que ela contou "os detalhes" do incidente décadas atrás. Uma gravação antiga do popular programa de Larry King, da mesma época, agitou o debate. Na gravação, uma mãe telefona para perguntar ao apresentador como sua filha pode lidar com seus "problemas" com um "senador de destaque". 

Depois de ouvir essas declarações, Tara Reade disse que a mulher, que não se identificou, mas deu sinais como seu local de residência, era sua mãe. 

O irmão da acusadora e um amigo dela confirmaram que, na época do incidente, Tara Reade confidenciou o que aconteceu à sua mãe, que morreu em 2016.

Uma personalidade do movimento anti-abuso #MeToo, a atriz Alyssa Milano, expressou seu apoio a Biden, que o chamou de homem honrado e disse que os homens deveriam receber o "devido processo". 

O presidente Trump, por sua vez, foi acusado de agressão sexual em várias ocasiões. / COM AFP 

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