Drew Angerer/Getty Images/AFP
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Biden liga para Netanyahu e manda enviado a Israel para amenizar tensão em Gaza

Missão será executada por Hady Amr, alto funcionário do Departamento de Estado encarregado dos assuntos israelenses e palestinos

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2021 | 19h32

WASHINGTON - Os Estados Unidos enviarão um emissário ao Oriente Médio para exortar israelenses e palestinos a “diminuir a escalada” de tensões dos últimos dias, informou nesta quarta-feira, 12, o secretário de Estado americano, Antony Blinken. Também nesta quarta-feira, o presidente americano, Joe Biden, conversou por telefone com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, a quem transmitiu seu “apoio inabalável ao direito de Israel de se defender”, disse a Casa Branca. Os novos conflitos deixaram ao menos 72 mortos até o momento, de acordo com autoridades locais.

Hady Amr, alto funcionário do Departamento de Estado encarregado dos assuntos israelenses e palestinos, será responsável por pedir, "em nome do presidente Joe Biden, uma redução da violência", anunciou Blinken a repórteres.

O secretário de Estado voltou a condenar os disparos de foguetes do movimento islamita Hamas contra Israel "com a maior firmeza", mas também considerou que "qualquer morte de civis" é "uma tragédia".

"Acho que Israel tem um dever adicional de tentar fazer todo o possível para evitar baixas de civis, mesmo que tenha o direito de defender seu povo", declarou Blinken, observando que as imagens de crianças palestinas mortas eram "comoventes".

Mas Blinken enfatizou que havia uma "distinção muito clara e nítida entre uma organização terrorista, o Hamas, que está disparando foguetes indiscriminadamente - visando civis, na verdade - e a resposta de Israel, que está se defendendo".

Mais tarde, o Departamento de Estado disse em um comunicado que Blinken conversou por telefone com Netanyahu, pedindo esforços para "acabar com a violência".

"O Secretário de Estado reiterou seu apelo a todas as partes para reduzir as tensões e pôr fim à violência", disse a nota, acrescentando que também "enfatizou a necessidade de israelenses e palestinos viverem com segurança" e "desfrutarem de liberdade, segurança, prosperidade e democracia igualmente".

Blinken telefonou também para o presidente palestino Mahmoud Abbas, com quem adotou tom semelhante, embora frisando que condena o lançamento de foguetes contra Israel a partir de Gaza. "O secretário (Blinken) condenou os ataques com foguetes e enfatizou a necessidade de diminuir as tensões e acabar com a violência atual", disse o Departamento de Estado.

Na ligação com Abbas, Blinken também expressou "que palestinos e israelenses merecem os mesmos níveis de liberdade, dignidade, segurança e prosperidade" e lamentou "a perda de vidas" nos últimos dias.

Biden, por sua vez, condenou no telefonema os ataques com foguetes do Hamas e de outros grupos terroristas, que tiveram também como alvo Jerusalém e Tel-Aviv, disse a Casa Branca em um comunicado. "Ele também transmitiu o incentivo dos Estados Unidos a um caminho para restaurar uma calma sustentável", disse o comunicado da Casa Branca.

Em recentes interações de alto nível, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, ligou para seu homólogo israelense, Benny Gantz, e expressou seu apoio ao "direito legítimo de Israel de defender a si mesmo e a seu povo", enquanto instava a tomar medidas para restaurar a calma, disse o Pentágono.

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Um alto funcionário dos EUA disse separadamente que espera mais contatos de alto nível, incluindo com a Jordânia e o Egito, embora Washington não dialogue com o movimento Hamas, que considera um grupo terrorista.

O governo Biden já havia apelado ao seu tradicional aliado Israel para adiar um polêmico desfile em Jerusalém e impedir os despejos de palestinos na parte oriental ocupada e anexada da Cidade Santa, o ponto de gatilho imediato para o novo ciclo de violência.

Tomando um tom mais claro da administração pró-Israel de seu predecessor republicano Donald Trump, Blinken renovou o apoio dos EUA para a eventual criação de um Estado palestino independente. "O mais importante agora é que todas as partes parem a violência e se envolvam na redução da escalada", insistiu. /AFP e EFE

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