Chip Somodevilla/Getty Images/AFP
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Biden pede que americanos não sejam 'durões' e 'usem máscara'

Declaração foi feita após seu rival, o presidente Donald Trump, testar positivo para o novo coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 18h29
Atualizado 02 de outubro de 2020 | 23h33

GRAND RAPIDS, EUA - O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, de 77 anos, testou negativo para a covid-19 e retomou nesta sexta-feira, 2, sua campanha presidencial, três dias depois do debate presidencial com seu adversário, o presidente Donald Trump, que foi diagnosticado com o vírus. A campanha de Biden decidiu derrubar temporariamente propagandas negativas contra Trump, revelou uma fonte à agência Reuters.

O ex-vice-presidente de Barack Obama decidiu manter uma viagem programada a Michigan, um Estado considerado chave para a disputa à presidência, onde Trump venceu em 2016. Em evento de campanha em Grand Rapids, Biden pediu na sexta-feira aos americanos que não se façam de “durões” em relação à pandemia de coronavírus e “usem máscara”. 

“Sejam patriotas. Não se trata de ser durão. Trata-se de fazer a sua parte. Usar uma máscara não só protege você, mas também aqueles ao seu redor”, afirmou Biden. 

“Não se trata de uma questão política. É um poderoso lembrete a todos de que devemos levar esse vírus a sério”, disse o candidato, acrescentando que todos devem seguir os conselhos dos especialistas, lavar as mãos e manter o distanciamento social de segurança. 

O candidato democrata tem criticado duramente a estratégia de Trump para diminuir o perfil da gravidade da pandemia, que nos Estados Unidos, mais mortos do que em qualquer outro país do mundo. 

Biden apresenta uma vantagem sobre Trump em 7,2 pontos porcentuais nas intenções de voto em todo o país, segundo média de pesquisas apuradas pelo RealClearPolitics.

O médico de Biden, Kevin O’Connor, disse que o candidato e a mulher dele, Jill, foram submetidos a testes de PCR para o novo coronavírus na sexta-feira “e não foi detectado a covid-19”. 

“Tenho o prazer de informar que Jill e eu testamos negativo para a covid-19”, anunciou Biden. “Espero que sirva de lembrete: usem máscara, mantenham o distanciamento social e lavem as mãos”, acrescentou. Apesar de o resultado ter dado negativo, especialistas alertaram na sexta-feira que o candidato pode estar com o vírus, mas ainda inativo e futuros testes podem resultar positivo.

Antes, Biden havia desejado a seu adversário e a também infectada primeira-dama, Melania Trump, uma “recuperação rápida”. “Continuaremos orando pela saúde e segurança do presidente e de sua família”, escreveu ele no Twitter em uma mensagem em seu nome e em nome de sua mulher.

Os Trumps e os Bidens estiveram juntos na terça-feira em Cleveland, Ohio, para o primeiro debate entre os três agendados até as eleições. 

Na ocasião, o presidente voltou a zombar, como costuma fazer, dos cuidados do seu oponente com o novo coronavírus. 

“Não uso máscaras como ele”, disse Trump sobre Biden. “Toda vez que você o vê, ele está com uma máscara. Ele poderia estar falando a 200 pés de distância (cerca de 60 metros) e ele aparece com a maior máscara que eu já vi”, afirmou o republicano.

“As máscaras fazem uma grande diferença”, ressaltou Biden, lembrando que o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Robert Redfield, as recomenda fortemente. Profissionais de saúde dizem que as coberturas faciais são essenciais para evitar a disseminação do vírus.

Na noite do debate nenhum dos dois usava máscara. Eles foram posicionados no palco de uma forma que respeitava o distanciamento físico. Todos na sala tinham testado negativo. Os parentes de Trump chegaram mascarados, como os de Biden, mas retiraram as máscaras, relatou o moderador do evento, Chris Wallace, nesta sexta. 

Uma pessoa infectada com a covid-19 pode demorar vários dias para testar positivo. Geralmente, começa a contaminar outros dois dias antes do aparecimento dos sintomas. 

Com mais de 207 mil mortes e 7,2 milhões de casos, os Estados Unidos são o país mais afetado no mundo pelo novo coronavírus, declarado pandemia global em março.

Pesquisas mostram que os eleitores confiam mais em Biden para o combate do coronavírus do que em Trump, que pressionou por uma reabertura mais rápida da economia e das escolas. / AFP, REUTERS e NYT

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