Kriston Jae Bethel/The New York Times
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Biden pede que republicanos não aprovem nome à Suprema Corte antes da eleição

'Não me dirijo a Trump. Falo com os republicanos que estão lá, os senadores republicanos que, no fundo, sabem o que é bom para o país, e não só para o partido', disse o candidato democrata

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2020 | 19h17

WASHINGTON - O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu neste domingo, 20, para que os senadores republicanos coloquem o país antes do partido e não confirmem nenhuma indicação à Suprema Corte feita pelo presidente, Donald Trump, antes das eleições do dia 3 de novembro.

"Não sou ingênuo. Não me dirijo a Trump, que fará o que quiser, nem a Mitch McConnel (líder da maioria republicana no Senado), que fará o que quiser. Falo com os republicanos que estão lá, os senadores republicanos que, no fundo, sabem o que é bom para o país, e não só para o partido", declarou.

A juíza de linha progressista Ruth Bader Ginsburg morreu na sexta-feira, aos 87 anos, deixando uma vaga aberta na Suprema Corte, que é composta por nove juízes, até então formada por cinco conservadores e quatro progressistas.

Trump disse no sábado que fará sua indicação esta semana e nomeou Amy Coney Barrett do 7º Circuito de Chicago e Barbara Lagoa do 11º Circuito de Atlanta como possíveis candidatas para preencher a vaga criada pela morte da ícone progressista.

Biden, que falou da associação National Constitution Center, na Filadélfia, pediu para que os republicanos no Senado sigam as suas consciências. "Não votem para confirmar ninguém indicado sob essas circunstâncias criadas por Trump e pelo senador McConnell, não vão por aí", pediu o ex-vice-presidente.

O candidato democrata criticou McConnell por bloquear a votação do Senado em 2016 sobre o juiz Merrick Garland, que foi nomeado pelo então presidente Barack Obama, meses antes da eleição daquele ano.

"Naquela época, McConnell inventou uma regra baseada em ficção que não deveria haver nenhuma indicação para o tribunal em ano eleitoral. É ridículo", argumentou.

Biden, que era vice-presidente de Obama, disse que mesmo que Trump apresente um candidato à Suprema Corte, o Senado não deveria agir "até que o povo americano eleja o próximo presidente, o próximo Congresso e o próximo Senado".

Além disso, Biden se dirigiu aos eleitores americanos e vinculou a pandemia de covid-19, até agora a grande questão da campanha eleitoral, à vaga na Suprema Corte.

"Enquanto eu falo, estamos ultrapassando 200 mil mortes por este vírus, dezenas de milhões de americanos estão desempregados, a saúde neste país está em jogo neste tribunal. E agora, em um movimento político abrupto, este presidente e o líder republicano decidiram forçar uma nomeação vitalícia para a Suprema Corte dos EUA no Senado. Essa é a última coisa que precisamos agora", criticou.

Biden destacou que "Donald Trump está na Suprema Corte tentando tirar a cobertura de saúde de dezenas de milhares de famílias, para tirar a paz de espírito de mais de 100 milhões de americanos com doenças pré-existentes".

"Se ele vencer, discriminarão ou vão retirar toda a cobertura de pessoas com doenças pré-existentes como asma, diabetes, câncer e muitos outros problemas. E, talvez, o mais cruel de tudo, se Trump ganhar, eles tirarão (a cobertura) por complicações da covid-19", denunciou.

O democrata estava se referindo ao Affordable Care Act, também conhecido como Obamacare, que o governo Trump quer eliminar. Ao longo dos anos, os republicanos abriram diversos processos contra vários aspectos da legislação.

Em nova promessa de campanha, Biden afirmou que, se for eleito, nomeará uma mulher negra como sucessora de Ginsburg, mas que só o fará após consultar democratas e republicanos.

A morte de Ginsburg acirrou a disputa eleitoral de novembro, energizando a base conservadora de Trump - ansiosa para ver o tribunal anular a decisão Roe v. Wade de 1973 que legalizou o aborto em todo o país - e apresentando novas complicações na batalha pelo controle do Senado dos EUA.

“Eu estarei apresentando uma nomeada na próxima semana. Será uma mulher”, disse Trump em comício de campanha em Fayetteville, Carolina do Norte, onde os apoiadores gritavam “ocupem esse lugar”. “Eu acho que deveria ser uma mulher porque, na verdade, gosto muito mais das mulheres do que dos homens.”/EFE e Reuters

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