Ken Cedeno/Reuters
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Biden promete resgatar afegãos que ajudaram tropas dos EUA contra o Taleban

Em sua maioria tradutores que trabalharam com as tropas da Otan, esses afegãos têm tentado nos últimos dias entrar no Aeroporto de Cabul para evitar a perseguição do grupo militante

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2021 | 15h15
Atualizado 20 de agosto de 2021 | 17h16

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta sexta-feira, 20, que resgatará aliados afegãos que participaram das operações militares americanas contra o Taleban. Em sua maioria tradutores que trabalharam com as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), esses afegãos têm tentado nos últimos dias entrar no Aeroporto de Cabul para evitar a perseguição do grupo militante, que tomou o poder no Afeganistão no começo da semana.

Criticado pela demora na operação para retirar militares, civis e jornalistas americanos do Afeganistão, Biden falou pela segunda vez em poucos dias sobre a crise. Segundo ele, 13 mil pessoas já foram removidas do aeroporto. Outros 206 jornalistas, de veículos como Washington Post, New York Times e Wall Street Journal também deixaram o país. Ele ressaltou, no entanto, que a operação será difícil de ser concluída, apesar de garantir que ninguém será deixado para trás.  

Biden se referiu ao esforço para a retirada dos americanos e afegãos vulneráveis como um dos maiores mais difíceis transportes aéreos da história. Ele reconheceu não saber quantos americanos ainda estavam no país ou se eles poderiam ser retirados com segurança, mas disse que essa era a prioridade. “Deixe-me ser claro: qualquer americano que quiser voltar para casa, nós o levaremos para casa”, disse Biden, antes de acrescentar: “Não posso prometer qual será o resultado final, ou que será sem o risco de perdas”.

Nesta sexta-feira, o Pentágono informou que soldados americanos deixaram o aeroporto de Cabul por um breve período para resgatar 169 pessoas nas proximidades. "Em pouco tempo e a uma curta distância, alguns soldados conseguiram sair, resgatá-los e levá-los ao aeroporto", disse o porta-voz do Ministério da Defesa, John Kirby. 

Ao responder perguntas de jornalistas, Biden  também permaneceu firmemente comprometido com sua decisão de retirar as tropas americanas do país, desafiadoramente dizendo aos repórteres: “Alguém realmente acredita que eu não teria de colocar muito mais forças americanas? Enviar seus filhos, suas filhas, como meu filho foi enviado para o Iraque, para talvez morrer?” 

Os comentários do presidente foram feitos em meio a imagens dolorosas de pessoas implorando para serem retiradas do aeroporto de Cabul, único ponto de partida para americanos e afegãos vulneráveis ​​que tentam fugir do país e única parte que ainda não é controlada pelo Taleban.

Do lado de fora do aeroporto, o cenário também é caótico. Ex-militares do Exército afegão tentam fugir desesperadamente do país, enquanto são caçados pela milícia. Milhares de membros das forças de segurança afegãs conseguiram chegar a outros países nas últimas semanas, outros conseguiram negociar rendições e voltaram para suas casas - e alguns ficaram com as armas e se juntaram ao lado vencedor.

O governo Biden enfrenta protestos internacionais sobre a rapidez com que o Afeganistão caiu sob o domínio do Taleban quando as forças dos EUA se retiraram, bem como questões crescentes sobre o quanto os militares e oficiais de inteligência sabiam com antecedência sobre a situação tênue no terreno.

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Cenas de caos e desespero, que incluíam uma criança sendo içada por cima de uma cerca de arame farpado para os braços de soldados americanos, aumentaram as críticas sobre a defesa veemente de Biden de sua decisão de retirar as tropas. Biden chamou as imagens de comoventes e disse que os EUA tinham 6 mil dos melhores guerreiros e mulheres da América ​​trabalhando para restaurar a ordem no aeroporto Hamid Karzai em Cabul e tirar as pessoas do país.

O presidente americano disse ainda que convocou uma reunião do G-7 - grupo dos países mais ricos do mundo que inclui ainda Canadá, Japão, Reino Unido, Itália, Alemanha e França - para tratar da crise no Afeganistão./COM AFP e NYT

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