Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Biden promulga pacote de US$ 1,9 trilhão e enviará mensagem de 'esperança' a americanos

No 50º dia de seu mandato, presidente fará seu primeiro discurso solene em horário nobre para relembrar dos 'sacrifícios' feitos pelos americanos na pandemia; com exceção de Trump, ex-presidentes gravam vídeo para incentivar vacinação

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2021 | 19h11
Atualizado 11 de março de 2021 | 20h57

WASHINGTON - O presidente americano, Joe Biden, promulgou nesta quinta-feira, 11, o gigantesco plano de estímulo econômico de US$ 1,9 trilhão aprovado pelo Congresso, antes de um pronunciamento em que enviará uma mensagem de "esperança" aos americanos diante da pandemia da covid-19.

Biden deu seu aval oficial para o pacote de ajuda econômica - que chamou de "histórico" - em uma cerimônia no Salão Oval da Casa Branca ao lado da vice-presidente americana, Kamala Harris.

Primeira vitória legislativa do democrata, que assumiu o cargo em 20 de janeiro, a proposta de estímulos passou na quarta-feira  na Câmara dos Deputados, após já ter tramitado pelo Senado. A cerimônia na Casa Branca estava marcada para esta sexta-feira, mas foi adiantada para quinta-feira porque a aprovação da lei no Congresso ocorreu antes do esperado pelo presidente.

No 50.º dia de seu mandato, o presidente fará seu primeiro discurso solene em horário nobre, às 20 horas locais (22h no horário de Brasília), para relembrar dos "sacrifícios" feitos pelos americanos durante a pandemia. "Existem razões reais para ter esperança, eu prometo", afirmou, acrescentando que "vemos a luz no fim do túnel".

No pronunciamento, Biden "detalhará os próximos passos que tomará para controlar a pandemia, será sincero com os americanos sobre o que ainda é necessário para derrotar o vírus e dará uma visão de esperança sobre o que é possível, se todos nos unirmos", disse um funcionário de alto escalão que pediu para não ser identificado.

Apesar da oposição no bloco dos republicanos, que denunciam gastos excessivos, os democratas - que são maioria na Câmara dos Deputados - adotaram um plano de US$ 1,9 trilhão, um valor equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Itália.

Celebrando "uma vitória histórica para os americanos", Biden anunciou sua intenção de defender esse plano. Na terça-feira, deve ir para a Pensilvânia, na primeira etapa de uma série de deslocamentos que fará.

Mais de 530 mil mortes

Seu discurso à nação acontecerá exatamente um ano após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a pandemia da covid-19. O vírus já causou mais de 530 mil mortes nos Estados Unidos, e a maior economia mundial sofreu contração de 3,5% no ano passado, seu pior desempenho desde a 2ª Guerra.

"Há exatamente um ano, disse que íamos passar por um momento muito difícil. Mas nunca poderia imaginar que este país teria mais de meio milhão de mortos" pela pandemia, disse à emissora ABC o imunologista Anthony Fauci, assessor do então presidente Donald Trump e agora de Biden.

Graças ao sinal verde do Congresso, milhões de americanos receberão cheques de ajuda direta, em um montante global de cerca de US$ 400 bilhões.  O plano também estende até setembro benefícios excepcionais de desemprego que expiraram em 14 de março. 

Ele reserva US$ 126 bilhões para escolas, desde pré-escolas a estabelecimentos do ensino médio, para apoiar sua reabertura apesar da pandemia, bem como US$ 350 bilhões para Estados e grupos locais.

Em meio a uma campanha de vacinação a todo vapor, a Casa Branca anunciou que quer comprar mais 100 milhões de doses da Johnson & Johnson, o que dobraria a quantidade ordenada pelos Estados Unidos a esta empresa farmacêutica.

O país já fez pedidos para receber até o final de maio as doses necessárias para vacinar todos os adultos americanos, graças a outras duas vacinas licenciadas -  Pfizer/BioNTech e Moderna -, das quais o governo americano encomendou 300 milhões de doses de cada uma.

O presidente insiste na necessidade de se preparar para eventuais contratempos. "Precisamos de uma flexibilidade máxima (...) Muitas coisas podem acontecer e temos de estar prontos", assegurou. "Se tivermos um excedente, vamos dividir com o restante do mundo", disse ele.

Ex-presidentes em campanha

Todos os ex-presidentes americanos vivos, com exceção de Donald Trump - Jimmy Carter, George W. Bush, Bill Clinton e Barack Obama - se juntaram em uma campanha para transmitir uma mensagem importante aos americanos: sejam vacinados contra a covid-19 o mais rápido possível.

O projeto, 'It’s Up To You' (Depende de você, na tradução livre), consiste em dois anúncios: um mostra ex-presidentes e ex-primeiras-damas recebendo a vacina  e o outro reúne Clinton, Bush e Obama, que, lado a lado, se dirigem ao povo americano.

No primeiro, entre anedotas pessoais (Bush, por exemplo, sonha com um "estádio lotado" para ver o Texas Rangers), os quatro estimularam seus compatriotas a deixar qualquer reserva de lado. 

Carter, de 96 anos, não aparece no vídeo, mas é ouvido dizendo: "Quero ser vacinado porque quero que essa pandemia acabe o mais rápido possível".

O segundo anúncio mostra Bush, Clinton e Obama juntos em um anfiteatro no Cemitério Nacional de Arlington, Virginia, onde estão os restos mortais dos soldados mortos nas guerras dos Estados Unidos e onde os três compareceram durante a posse de Biden. 

Trump e a ex-primeira-dama Melania não participaram dos anúncios, embora ambos tenham recebido a vacina em janeiro, enquanto ainda estavam na Casa Branca, o que não foi revelado até semanas depois que eles deixaram Washington.

De seu clube Mar-a-Lago, na Flórida, o republicano tentou se colocar, novamente, sob os holofotes na noite de quarta-feira. "Espero que todos os americanos se lembrem, enquanto recebem a vacina contra a covid-19, que, se eu não tivesse sido presidente, só estariam recebendo essa magnífica injeção em cinco anos, no mínimo", escreveu ele, em um breve comunicado.

"Espero que todo mundo se lembre", acrescentou Trump que, apesar de sua derrota no final de seu primeiro mandato, não descarta a possibilidade de voltar a se candidatar em 2024./AFP, EFE e AP  

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