Presidência da República
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Biden quer avanços concretos no meio ambiente, diz embaixador dos EUA

Todd Chapman disse que como representante do presidente americano no Brasil vai tentar expandir o diálogo e obter novos entendimentos entre os governos

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 18h43

BRASÍLIA - O embaixador dos Estados Unidos, Todd Chapman, disse que o presidente Joe Biden deseja ver avanços concretos na pauta ambiental com o Brasil. Ele disse que Biden já deixou claro que o meio ambiente será um “pilar” de sua administração.

A mudança já ficou evidente, segundo o diplomata, com a decisão de Biden de levar os EUA de volta à Organização Mundial da Saúde (OMS) e ao Acordo de Paris, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Uma primeira indicação, notou o embaixador, foi a nomeação de John Kerry, ex-secretário de Estado do governo Barack Obama, como embaixador para o Clima. Temas como conservação, energias renováveis e carbono ganharão importância. Kerry esteve na Cúpula da Terra, em 1992, realizada no Rio.

“Agora que voltamos ao Acordo de Paris, vamos ver como podemos trabalhar através deste foro e bilateralmente para chegar a novos acordos. O presidente Biden e o secretário Kerry vão querer ver mais oportunidades de avançar nesse diálogo e fazer coisas concretas. Isso já é bastante evidente para todo mundo, incluindo o governo brasileiro. Vamos dar um pouco de tempo para que as conversas comecem. Esperamos chegar a entendimentos importantes não somente para Brasil e EUA, mas também para o planeta”, afirmou Chapman.

O meio ambiente é um dos temas de atrito entre os dois presidentes e marcou única menção ao Brasil na campanha eleitoral nos EUA, quando Biden disse que reuniria outros países para oferecer U$ 20 bilhões de ajuda para conservação na Amazônia. E prometeu pressionar o governo Bolsonaro a agir, ameaçando sanções econômicas.

O embaixador disse que países amigos devem conversar de forma “franca e honesta” e pediu atenção dos dois lados. Ele afirma que as conversas devem olhar para o futuro, mas reconhece que há divergências a tratar. “A comunicação aberta e clara é muito melhor do que a falta de comunicação ou através de intermediários”, afirmou.

O embaixador Chapman voltou nesta semana de Washington e revelou que manteve um encontro de trabalho com o embaixador brasileiro, Nestor Forster Junior. Ele disse não ter informações ainda quanto a possíveis contatos entre os presidentes, mas que trabalha para criar novos canais de colaboração. Chapman disse que como representante de Biden vai tentar expandir o diálogo e tentar obter novos entendimentos entre os governos.

“Temos de facilitar o diálogo entre nossos governantes, encontrar novas oportunidades, mas também notando que tem desafios. As palavras e a maneira de comunicação vão ser muito importantes. Temos de mostrar muita atenção nas palavras e nas comunicações para trabalhar de maneira bastante disciplinada para chegar aonde nós queremos, que é uma relação produtiva para os dois lados .”

Nesse sentido, o embaixador elogiou o tom e o pragmatismo da carta escrita por Jair Bolsonaro a Biden, a segunda concessão pública feita pelo Palácio do Planalto, desde que Biden foi confirmado como eleito. Até então, porém, Bolsonaro e seus auxiliares se recusavam a reconhecer sua vitória e ecoavam suspeitas de fraude que se mostraram infundadas.

Ele criticou a disseminação de notícias falsas e disse que Biden foi eleito legalmente. Questionado sobre o fato de Bolsonaro ter falado em fraude nas eleições, Chapman disse que é importante que a relação entre os países ocorra num "cenário de realidade" e pediu combate à desinformação. "É importante que informações falsas não sejam espalhadas", disse.

“A carta foi bastante construtiva, importante para o presidente Bolsonaro mandar seus votos para Biden e também ser bastante específico sobre as áreas que talvez pudéssemos trabalhar mais e reconhecendo temas que a nova administração  vai priorizar, uma  mudança em relação à administração anterior”, disse Chapman.

O diplomata afirmou que haverá continuidade da relação em temas-chave, como economia, segurança, educação e militar, nas quais há cooperação permanente. “Sempre vai haver mudanças de algum tipo ou outro, mas a relação tem tanta tradição que a institucionalidade, nossas instituições trabalham muito em conjunto”, disse.

Telefonia 5G

Com o novo governo recém-instalado, Chapman ponderou que não poderia dar ainda muitos detalhes de como diversos temas serão tratados pelo novo secretário de Estado, Antony Blinken.

Ele indicou que o líder da diplomacia de Biden deverá analisar a continuidade de programas como o Clean Network (Rede Limpa), iniciativa que busca barrar a participação da empresa chinesa Huawei no fornecimento de redes para telefonia 5G ao redor do mundo. O programa lançado por Donald Trump não consta mais listado no site da Secretaria de Estado dos EUA.

“O que vai continuar é nossa ênfase na importância da segurança da tecnologia, proteção da propriedade intelectual e de dados. Não posso imaginar que mude. O Clean Network tem muito apoio no mundo, não só os EUA, mas países da Europa e da OCDE, mas é um dos temas que o novo secretário de Estado terá que olhar. Tem que continuar sendo analisado através do tempo, mas imagino que os objetivos são constantes”, disse Chapman.

Chapman afirmou que o presidente Biden fez uma “chamada nacional à unidade de nossa nação” na posse e reconheceu que há divisões internas. Ele afirmou que a democracia foi “preservada” no País e rechaçou a violência e a turbulência durante a invasão do Congresso por parte de apoiadores extremistas do ex-presidente Donald Trump. 

“Ontem foi um dia histórico para nossa nação, este ano talvez com mais importância em razão da violência que ocorreu em 6 de janeiro em nosso país”, disse Chapman. “Nossa democracia funcionou, as instituições são sólidas e a democracia venceu.”

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