Alex Wong/Getty Images/AFP
Alex Wong/Getty Images/AFP

Biden segue tática de Trump e visitará Kenosha, onde negro foi baleado pelas costas

Com vantagem nas pesquisas em queda desde a convenção, democrata também tentará mudar o foco da campanha eleitoral dos protestos contra o racismo para a pandemia de coronavírus sob a administração republicana

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 17h29
Atualizado 02 de setembro de 2020 | 19h07

WASHINGTON - O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, e sua mulher, Jill, viajarão na quinta-feira, 3, para a cidade de Kenosha, no Estado de Wisconsin, após os protestos e motins das últimas semanas e dois dias depois de o presidente Donald Trump visitar a cidade. Os protestos foram uma resposta a mais um episódio de violência policial no país, no qual um homem negro ficou gravemente ferido após ser baleado pelas costas durante abordagem policial feita por um agente branco.

A campanha do candidato democrata informou que Biden se reunirá com a família de Jacob Blake, o homem baleado pelo policial, além de fazer uma "reunião comunitária" para "unir os americanos para curar" e enfrentar os desafios que o país enfrenta. A campanha não deu mais detalhes do encontro. 

Trump viajou ontem para cidade, onde visitou escombros de imóveis destruídos durante os tumultos da semana passada. Na sua visita, ele reafirmou seu apoio às forças de segurança e acusou os participantes dos protestos de envolvimento em "terrorismo doméstico". "Não estaríamos aqui sem nossas forças de ordem pública", disse o presidente, que visitou Kenosha, mesmo com as autoridades de Wisconsin pedindo para que o republicano não viajasse e despertasse ainda mais os ânimos.

No dia 23 de agosto, Blake, um homem negro, foi baleado sete vezes pelas costas por um policial branco em Kenosha, causando uma onda de protestos raciais e motins naquela cidade. Blake ficou paralisado da cintura para baixo. 

Durante os distúrbios, duas pessoas morreram e uma terceira ficou ferida após um adolescente de 17 anos atirar contra elas com uma AR-15. O adolescente foi preso e acusado de homicídio em primeiro grau.

O incidente com Blake reavivou os protestos contra o racismo e a brutalidade policial após a morte, em 25 de maio, de outro cidadão negro, George Floyd, também nas mãos da polícia.

Essa será a primeira visita de Biden como candidato democrata a Wisconsin, um Estado importante nas eleições de 3 de novembro, já que nele Trump venceu sua rival na eleição de 2016, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, com uma vantagem de menos de 1%.

Para Entender

O caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

Chefe de comunicação da campanha de Trump, Tim Murtaugh criticou Biden por viajar somente agora para Wisconsin, diferente de duas semanas atrás, durante a Convenção Nacional Democrata.

Inicialmente, a convenção estava programada para ser realizada na cidade de Milwaukee, no mesmo Estado, mas devido à pandemia da covid-19 o evento foi realizado virtualmente, e Biden fez seu discurso de aceitação da indicação do partido à presidência diretamente de Wilmington (Delaware), onde reside. "O que mudou cientificamente para que em pouco tempo ele possa entrar em um avião?", disse Murtaugh, ironicamente. 

Cai vantagem de Biden 

Passadas as convenções partidárias, a vantagem de Biden em relação ao presidente diminuiu de 12 pontos em junho para 7 pontos porcentuais, segundo uma pesquisa do USA Today em parceria com a Suffolk University, divulgada nesta quarta-feira. 

Agora, Biden aparece com 50% das intenções de voto e o republicano, com 43%. Outros 7% estão indecisos ou se recusaram a responder. A margem de erro da pesquisa é de 3,1 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Mudança de foco 

Em uma tentativa de buscar uma recuperação, o democrata tenta redirecionar o foco da corrida eleitoral para o coronavírus e a maneira como Trump lida com a pandemia. 

A crise de saúde, que já matou mais de 184 mil americanos, foi ofuscada nos últimos dias pelos protestos contra a violência policial e o racismo.  Biden e o republicano defendem argumentos conflitantes no debate sobre qual candidato consegue manter o país em segurança.

Mas agora que milhões de alunos dos ensinos primário e secundário de todo o país iniciam um novo ano letivo, seja virtual ou presencialmente, Biden realizou uma entrevista coletiva com especialistas médicos na cidade de Wilmington delineando como as escolas podem reabrir correndo o mínimo de risco. 

Para Entender

Eleições nos EUA: entenda o processo eleitoral americano

Saiba como funcionam bipartidarismo, prévias, escolha dos vices, colégio eleitoral, votos, apuração e pesquisas na disputa presidencial dos Estados Unidos

Reabrir as escolas em meio à pandemia também é uma das maiores prioridades de Trump, mas a equipe de Biden insiste que ele a pleiteia de forma irresponsável. O evento de hoje é parte do esforço da campanha para fazer da eleição, de certa forma, um referendo sobre a resposta do governo Trump ao surto. "Se o presidente Trump e seu governo tivessem feito seu trabalho no início desta crise, as escolas americanas estariam abertas. E elas estariam abertas com segurança", disse Biden.

O candidato disse que se fosse presidente, usaria uma lei federal existente para desastres para direcionar fundos para escolas e ajudá-las a reabrir com segurança. Ele pediu a Trump que "saia do Twitter" e "negocie um acordo" com o Congresso sobre mais ajuda à pandemia. Para o democrata, uma recuperação econômica total não é possível com a covid-19 ainda em alta e a reabertura de escolas com segurança é uma parte necessária para limitar a disseminação do vírus e permitir que os pais voltem ao trabalho.

Ainda nesta quarta-feira, Trump viajará à Carolina do Norte - que, assim como o Wisconsin, é um Estado-chave na eleição presidencial - e falará durante a comemoração do 75º aniversário do fim da 2ª Guerra. /AFP, EFE, REUTERS e AP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.