Biden telefona para Dilma e lamenta repercussão de caso de espionagem

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ligou na noite de ontem para a presidente Dilma Rousseff para dar mais explicações sobre o monitoramento e a espionagem de cidadãos e instituições brasileiras pela Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). Segundo o governo brasileiro, Biden lamentou a repercussão negativa do caso na sociedade brasileira.

LISANDRA PARAGUASSU, BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h14

O vice-presidente americano repetiu o convite para que uma comissão brasileira vá a Washington receber mais explicações técnicas e políticas sobre o assunto. Dilma aceitou e disse que enviará uma delegação. Não está definido, no entanto, quem irá e quando será feita a visita.

O convite já havia sido feito pelo embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, mas o governo brasileiro não havia decidido se aceitaria. Não se sabe ainda se o grupo terá nível ministerial ou técnico, mas deverão participar representantes dos ministérios das Relações Exteriores, Justiça, Defesa e, possivelmente, do Gabinete de Segurança Institucional.

A conversa, de cerca de 25 minutos, foi cordial, de acordo com a ministra da Comunicação Social, Helena Chagas, mas também incluiu cobranças por parte da presidente. Dilma expressou "grande preocupação" com a violação da privacidade de cidadãos brasileiros e de instituições do País e afirmou que espera "mudanças de políticas para não haver um novo risco de violação da privacidade". A espionagem no Brasil foi revelada por Glenn Greenwald no jornal O Globo, tendo como fonte o ex-agente da CIA Edward Snowden.

A presidente disse a Biden que o Brasil também espera mais esclarecimentos, porque a violação foi além do governo, mas envolveu o povo, as instituições e a sociedade brasileira. "Em nome da segurança, não se pode infringir a privacidade dos cidadãos e a soberania de um país", disse a presidente, ainda de acordo com Helena Chagas.

Biden aproveitou o telefonema para comentar a visita de Estado de Dilma aos Estados Unidos, marcada para o dia 23 de outubro. Ele repetiu que a relação de Washington com o Brasil é "muito importante" para os EUA e espera que o "incidente", como chamou o caso de espionagem, esteja superado na época da viagem.

Segredos. Apesar das seguidas conversas com o embaixador americano, o governo brasileiro ainda reclama da falta de esclarecimentos por parte dos americanos. Na segunda-feira, o chanceler do Brasil, Antonio Patriota, deixou claro, em entrevista, que as explicações de Washington ainda eram "insuficientes".

Até agora, os americanos não se dispuseram a abrir seus segredos técnicos para mostrar ao governo brasileiro exatamente que tipo de monitoramento estava sendo feito no Brasil.

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