Mandel Ngan/AFP
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Biden tenta conter onda de crimes pós-pandemia nos EUA com regulação de armas e apoio à polícia

Aumento da violência armada no país se tornou uma questão política para os democratas, que devem ser confrontados sobre o tema pelos republicanos nas eleições de 2022

Beatriz Bulla / Correspondente , O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 20h11

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quarta-feira, 23, um plano para tentar conter a violência nas cidades americanas e os homicídios causados por armas de fogo. O aumento da violência armada no país se tornou uma questão política para os democratas, que devem ser confrontados sobre o tema pelos republicanos nas eleições de 2022.

"O crime aumenta historicamente durante o verão e conforme emergimos desta pandemia, com o país se abrindo novamente, o pico tradicional do verão pode ser maior do que normalmente seria”, disse Biden, ao anunciar uma estratégia federal para tentar conter os homicídios. A Casa Branca prevê que o verão, que dura até setembro (no norte), será um período "tumultuado". 

Segundo dados usados pelo governo americano, os homicídios cresceram 30% nas grandes cidades americanas no ano passado. No primeiro trimestre deste ano, o aumento foi de 24% na comparação com o mesmo período de 2020 e 49% se comparados aos primeiros três meses de 2019.

No ano passado, democratas apoiaram manifestantes que foram às ruas contra o racismo e a violência policial. Entre as pautas, os protestantes pedem o corte de verbas das polícias.  Mas a onda de homicídios com armas de fogo colocou a criminalidade no centro do debate político -- uma pauta que costuma ser explorada pelos republicanos entre seus eleitores.

De um lado, democratas acusam que o amplo acesso a armas está na raiz do problema. De outro, os republicanos argumentam que é necessário fortalecer ainda mais as polícias, algo que, segundo eles, os democratas não estão dispostos a fazer.

As primárias em Nova York foram um sinal aos democratas de como o aumento na criminalidade armada preocupa eleitores do partido. Na frente da disputa, realizada na terça-feira, está Eric Adams, um ex-policial considerado um democrata moderado, que teve como principal plataforma de campanha a luta contra a criminalidade.

Biden anunciou um plano com cinco eixos estratégicos, sendo um dos principais a política de "tolerância zero" a lojas que vendem armas em desacordo com a legislação federal. A licença dos revendedores será cassada na primeira ocasião em que violarem a legislação ao permitir acesso a arma a quem não poderia comprá-la, por exemplo.

"Se você vender intencionalmente uma arma para alguém que é proibido de possuí-la, se você falsificar um registro, se você deixar de cooperar com uma solicitação de rastreamento para inspeções, minha mensagem para você é esta: Nós vamos encontrar você e vamos buscar sua licença para vender armas", disse Biden.

O foco no armamento é um terreno mais confortável aos democratas, que há anos tentam endurecer o acesso às armas no país, mas esbarram na resistência dos republicanos no Congresso. Em abril, após subsequentes ataques a tiros em massa, Biden anunciou um pacote de decretos para tentar ampliar o controle de armas no país. 

Na ocasião, Biden disse que os ataques a tiros eram uma epidemia americana.

A Casa Branca também anunciou que a verba de US$ 350 bilhões a Estados e municípios prevista no pacote de estímulo conhecido como American Rescue Plan poderá ser usada pelas autoridades locais para contratar policiais e investir em programas de redução da violência por armas de fogo. Autoridades locais podem usar a verba para programas comunitários -- e a Casa Branca articulou com doadores financiamento a cidades que já adotam esse tipo de estratégia.

Por fim, o governo federal deu diretrizes para que autoridades locais estabeleçam programas de verão para jovens e estratégias de ressocialização de ex-detentos.

 

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