Biden tenta impulsionar democratas em debate

Encontro com candidato a vice republicano é crucial para futuro da chapa democrata

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / CINCINNATI, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2012 | 03h10

O impacto do debate entre os dois candidatos à Casa Branca na semana passada nas pesquisas eleitorais aumentou a pressão sobre o confronto entre os seus parceiros de chapa, que ocorreria na noite de ontem em Kentucky. O democrata Joe Biden, vice-presidente dos Estados Unidos, e o republicano Paul Ryan, deputado federal, prepararam-se nos últimos dias para responder de forma agressiva sobre economia e política externa.

Apesar de não ser definitivo para as eleições, o debate entre os candidatos a vice-presidente é visto pelo lado democrata como uma oportunidade de reverter a impressão negativa deixada por Obama no debate da semana passada. Para os republicanos, pode resultar em ganhos de alguns pontos essenciais para a vitória em 6 de novembro.

Pela primeira vez desde o início da campanha, Romney ultrapassou o presidente em quatro de oito pesquisas realizadas desde 1 de outubro. A média das consultas calculada pelo Real Clear Politics atribuía ontem ao republicano 47,1% das intenções de voto, contra 46,4% para Obama.

O debate de ontem envolvia dois políticos de carreira, ambos católicos. Joe Biden, de 67 anos, democrata liberal da Nova Inglaterra, iniciou sua vida pública em 1970, como vereador de New Castle, e dois anos depois foi eleito senador por Delaware, posto que ocupou até 2008, quando assumiu a vice-presidência dos EUA. Ryan faz parte da nova geração de republicanos de direita radical. Tem 42 anos, foi eleito deputado federal por Wisconsin em 1998 e, desde então, tem sido reeleito.

Quando Biden concorreu nas primárias democratas para ser candidato à Casa Branca, em 1988, Ryan estava no colegial. O democrata passou pela experiência do debate inúmeras vezes em sua carreira.

O republicano, segundo o próprio Mitt Romney, faria ontem sua estreia. "Posso estar errado. Ele deve ter feito algo no colegial, eu não sei", afirmou Romney à imprensa no dia 9. O que parece ser inexperiência, entretanto, pode resultar em surpresa.

Ryan se autodefine como "o cara dos números". Economista devotado às políticas ultraortodoxas, ele ingressou na chapa republicana como reforço da agenda fiscal ditada pelo Tea Party, a facção radical do partido. Sua proposta de orçamento para 2013 é uma peça com base no corte severo de gastos públicos e na preservação de benefícios fiscais para os americanos mais ricos.

Ele costuma ter estatísticas na ponta da língua. Nos últimos três dias, instalou-se em um resort no Estado da Virgínia, para estudar os vídeos do debate de Biden com a republicana Sarah Palin, em 2008. Seu preparo tem como princípio a hipótese de que o vice-presidente virá agressivamente para o ataque, à espera de um mano a mano. "Não estou intimidado. Estou animado", afirmou Ryan.

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