Doug Mills/NYT via AP
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Biden traz agenda legislativa ambiciosa e controversa; leia análise

Se gerar empregos e modernizar a economia são agendas com apoio de diversos setores da sociedade, o aumento de impostos para os mais ricos como forma de financiar esses investimentos esbarra em uma forte oposição

Denilde Holzhacker*, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2021 | 00h35

O primeiro discurso presidencial em uma sessão conjunta no Congresso dos Estados Unidos é um momento cercado de expectativas, dado que é a oportunidade para o novo presidente delinear sua visão e suas prioridades. No caso da gestão Biden-Harris, diferentemente de outros presidentes, o discurso de Biden acontece não em janeiro ou fevereiro, mas na véspera de completar 100 dias de governo, o que é um marco relevante na estratégia de associá-lo ao governo Roosevelt nos anos 30.

Desde sua posse, Biden já fez uma série de pronunciamentos apresentando suas prioridades, por isso, já se esperava um balanço de suas conquistas, especialmente na área de vacinação e combate ao coronavírus.  

Trechos divulgados momentos antes do discurso já indicavam um tom de otimismo quanto à capacidade do país de superar as crises no combate à pandemia e na economia. O argumento central foi que, frente à gravidade da crise, seu governo não ficou parado, mas identificou desafios e oportunidades, com propostas ambiciosas tanto na agenda doméstica quanto internacional. 

Ao longo do discurso, Biden defendeu que os planos de investimentos governamentais em infraestrutura, geração de emprego e apoio às famílias são fundamentais para os Estados Unidos reconquistarem a liderança global. Se de um lado gerar empregos e modernizar a economia são agendas com apoio de diversos setores da sociedade, de outro, o aumento de impostos para os mais ricos como forma de financiar esses investimentos esbarra em uma forte oposição entre os republicanos e setores econômicos. 

Para convencer os congressistas, Biden terá de se valer do seu conhecimento sobre os meandros das negociações bipartidárias em sua experiência parlamentar. Porém, os 100 primeiros dias já indicaram para seu governo as dificuldades que ele encontrará.

Não foi um período de lua de mel na relação com o Congresso. Apesar do apoio dos congressistas ao pacote de estímulo para o combate à pandemia e o plano de investimento em infraestrutura de US$ 1,9 trilhão, somente 11 projetos de leis da gestão foram aprovados nos 100 dias, segundo dados do site fivethirtyeight. Esse número é menor quando comparado ao de Trump (30 leis aprovadas) ou ao de Obama (14 leis aprovadas). 

Para avançar em legislação em temas controversos, como controle de armas, imigração, igualdade salarial para as mulheres, leis de defesa dos LGBTs, entre outros, Biden depende da construção de consenso bipartidário e da identificação de pontos de convergência.

A sua estratégia é mostrar que não há outra saída para o país, e que sem um entendimento, os Estados Unidos perderão relevância e competitividade em termos globais. A gravidade da crise e o senso de urgência podem ser aliados de Biden para convencer os americanos em um novo pacto político, econômico e social. O sucesso ou fracasso da agenda do governo Biden terá profundos impactos para o futuro dos Estados Unidos. 

* É coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos na faculdade ESPM

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