Nicholas Kamm / AFP
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Plano de US$ 6 trilhões de Biden eleva gasto federal dos EUA a patamar mais alto desde a 2.ª Guerra

Os planos do presidente de investir em infraestrutura, educação e saúde têm o objetivo de tornar o país mais competitivo e impulsionar a economia

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 12h07

WASHINGTON - O presidente americano, Joe Biden, vai propor nesta sexta-feira, 27, um orçamento de US$ 6 trilhões (R$ 31,65 trilhões), o que elevaria o nível de gastos públicos federais nos Estados Unidos ao maior patamar desde a Segunda Guerra, o que pode incorrer em um déficit acima de US$ 1,3 trilhão (R$ 6,86 trilhão) ao longo da próxima década.

Documentos obtidos pelo The New York Times mostram que a primeira solicitação de orçamento de Biden como presidente propõe que o governo federal gaste US$ 6 trilhões no ano fiscal de 2022 e que os gastos totais subam para US$ 8,2 trilhões (R$ 43,25 trilhões) até 2031. O crescimento é impulsionado pela agenda em duas partes de Biden para atualizar a infraestrutura do país e expandir substancialmente a rede de segurança social, contida em seu Plano de Emprego Americano e Plano de Famílias Americanas, junto com outros aumentos planejados em gastos discricionários.

A proposta mostra o tamanho das ambições de Biden de utilizar o poder do governo para ajudar mais americanos a obter os confortos de uma vida de classe média e elevar a indústria dos EUA para competir melhor globalmente em uma economia que, o governo acredita, será dominada por uma corrida para reduzir emissões de energia e combate às mudanças climáticas.

O plano de Biden de financiar sua agenda aumentando os impostos sobre as corporações e pessoas de alta renda começaria a diminuir os déficits orçamentários na década de 2030. Funcionários do governo disseram que os planos de empregos e famílias seriam totalmente compensados pelo aumentos de impostos ao longo de 15 anos, no que o pedido de orçamento se apoia.

Nesse ínterim, os Estados Unidos incorreriam em déficits significativos ao pedir dinheiro emprestado para financiar seus planos. Segundo a proposta de Biden, o déficit orçamentário federal atingiria US$ 1,8 trilhão (R$ 9,49 trilhões) em 2022, mesmo com a economia se recuperando da recessão da pandemia para crescer no que o governo prevê que seria seu ritmo anual mais rápido desde o início dos anos 1980. Ele diminuiria ligeiramente nos anos seguintes, antes de crescer novamente para quase US$ 1,6 trilhão em 2031.

A dívida pública total ultrapassaria mais do que o valor anual da produção econômica, aumentando para 117% o tamanho da economia em 2031. Em 2024, a dívida como parcela da economia aumentaria para seu nível mais alto na história americana, batendo o recorde do período da Segunda Guerra.

Os níveis de tributação e gastos nos planos de Biden expandiriam a pegada fiscal federal para níveis raramente vistos na era do pós-guerra, para financiar investimentos que seu governo diz serem cruciais para manter os Estados Unidos competitivos. Isso inclui dinheiro para estradas, sistemas de água e esgoto, internet banda larga, estações de carregamento de veículos elétricos e pesquisas avançadas de manufatura. Também prevê o financiamento de creches a preços acessíveis, jardim de infância universal, um programa nacional de licença remunerada e uma série de outras iniciativas. Os gastos com defesa nacional também cresceriam, embora diminuíssem como parcela da economia.

Os documentos sugerem que Biden não vai propor políticas adicionais importantes no orçamento, ou que seu orçamento incluirá planos que o governo até agora não quis detalhar. Por exemplo, o presidente se comprometeu a revisar e atualizar o programa de seguro-desemprego do país como parte do Plano de Famílias Americanas, mas tais esforços não estão incluídos em seu orçamento.

Os pedidos de gastos de Biden não incluem dinheiro para uma chamada opção pública de assistência médica, que permitiria aos americanos escolherem se inscrever em um plano de seguro de saúde público como o Medicare, em vez de um plano privado. Mas o presidente vai pedir ao Congresso que crie essa opção pública como parte de sua proposta de orçamento, mostra um documento obtido pelo Times. / NYT

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