Paul Vernon/AP
Paul Vernon/AP

Biden vence primárias em Idaho, Michigan, Missouri e Mississippi

Ex-vice-presidente demonstra força de sua coalizão multiracial e amplia vantagem sobre o senador Bernie Sanders

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 21h40
Atualizado 11 de março de 2020 | 06h48

WASHINGTON - O pré-candidato democrata Joe Biden venceu nesta terça-feira, 10, as primárias do partido em Idaho, Michigan, Missouri e Mississippi, com apoio esmagador de afro-americanos e com grandes margens entre os eleitores suburbanos e rurais, replicando uma vantagem que ele exibiu na Superterça, uma semana atrás, quando venceu em 10 dos 14 estados.

Em sua primeira aparição pública após a votação desta terça, quando falou para a imprensa e para apoiadores desde a Filadélfia, Biden comemorou o resultado. "Apesar que ainda haja um caminho a percorrer, parece que vamos ter outra boa noite", disse. O candidato também aproveitou a declaração para estender a mão ao seu rival, Bernie Sanders.

"Quero agradecer a Bernie Sander e a seus apoiadores por suas energias incansáveis e pela paixão. Temos o mesmo objetivo e juntos vamos vencer Donald Trump", declarou.

Sanders teve a oportunidade de desacelerar Biden no Leste do país, onde os eleitores de Idaho e Washington estavam indo às urnas, mas sofreu um duro golpe no que foi o maior prêmio da noite: o Estado de Michigan.

Uma semana depois de sofrer uma série de derrotas inesperadas na Superterça, Sanders correu para reviver sua candidatura no Estado. Mas, mesmo depois de realizar vários eventos em Michigan e fazer alguns de seus ataques mais claros contra Biden, ele foi derrotado no que poderia ser o principal elemento do Centro-Oeste em uma corrida em que o ex-vice-presidente triunfou no sul e Sanders venceu no oeste.

A votação em Michigan teve um grande significado simbólico para ambos os candidatos. Ambos haviam se apresentado como capazes de recuperar o Centro-Oeste para os democratas em 2020. 

Há muito que Biden se vangloria de seu vínculo com os eleitores da classe trabalhadora, enquanto Sanders desfruta de um brilho político duradouro com sua vitória sobre Hillary Clinton, na primária de Michigan, há quatro anos. Sua incapacidade de replicar esse feito contra um oponente mais popular, Biden, enfraquece ainda mais seu argumento de que apenas um candidato que anuncia mudanças de longo alcance pode engajar os eleitores de lá.

Mais importante na terça-feira foi o escopo das vitórias de Biden: com 365 delegados em disputa, o ex-vice-presidente estava pronto para construir o que poderia se tornar uma vantagem insuperável. Se ele vencer com margens igualmente grandes na semana que vem na Flórida, rica em delegados, onde Sanders não aparece muito nas pesquisas, ele pode tornar quase impossível que o senador o acompanhe.

Tanto no Missouri quanto no Mississippi, Biden ganhou eleitores negros por margens colossais, inclusive por mais de 70 pontos no Mississippi, onde os afro-americanos representavam quase dois terços do eleitorado primário, segundo pesquisas de opinião pública. Mas Biden também ganhou eleitores brancos por dois dígitos em ambos os estados e levou eleitores brancos sem diploma universitário - um círculo eleitoral amigável para Sanders em 2016 - por uma margem mais estreita.

Em um sinal de que Sanders pode ter dificuldades para competir com Biden no meio-oeste, as pesquisas de boca de urna do Missouri mostraram que Biden convencia famílias sindicais por uma margem de 25 pontos sobre Sanders. Essa vantagem sugere que a mensagem populista de Sanders e as críticas duras ao histórico de comércio de Biden falharam em prejudicar a popularidade do ex-vice-presidente com um eleitorado-chave que compunha cerca de um quarto do eleitorado do Missouri.

Apoio

O ex-pré-candidato democrata e empresário de tecnologia Andrew Yang anunciou que apoiará a candidatura presidencial de Joe Biden, dizendo que é hora dos democratas se unirem ao ex-vice-presidente e se prepararem para as eleições gerais.

Após as vitórias projetadas por Biden em várias primárias estaduais na terça-feira, Yangsa disse à CNN que vê Biden como o candidato mais bem posicionado para derrotar o presidente Donald Trump em novembro, dizendo que os democratas precisam "se unir como um partido, a partir desta noite".

Campanha de Trump

O diretor da campanha de Donald Trump, Brad Parscale desqualificou a vitória de Biden nesta terça. Segundo Parscale , os pré-candidatos democratas seriam duas faces da mesma moeda, que querem impor ao governo uma agenda socialista. "Nunca importou quem é o candidato democrata", disse.

Pelo Twitter, Trump comentou a vitória de Biden. O atual presidente atribuiu a derrota de Sanders a desistência de Elizabeth Warren, a quem chama de Pocahontas, o que teria destruído a campanha do senador por Vermont.

"Pocahontas, trabalhando em conjunto com o Partido Democrata, destruiu totalmente a campanha de Bernie Sanders. Se ela tivesse desistido 3 dias antes, Sanders teria batido Biden, e não teria sido nem perto. Eles também conseguiram outros dois perdedores para apoiar o Joe dorminhoco". /NYT e AFP

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