Leah Millis/Reuters
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Biden vai à Flórida para recuperar o voto latino

Com 29 votos no colégio eleitoral, Estado é crucial para o resultado das eleições

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 13h42
Atualizado 16 de setembro de 2020 | 13h38

MIAMI - O candidato democrata à presidência dos EUA, Joe Biden, viajou nesta terça-feira, 15, pela primeira vez à Flórida com um objetivo na bagagem: ampliar sua popularidade entre os eleitores latinos, essenciais para a vitória no Estado. A Flórida é um dos maiores colégios eleitorais do país, com 29 votos, cruciais para determinar o resultado da eleição de novembro.

Faltando menos de 50 dias para a eleição americana, a viagem de Biden reflete o resultado de uma pesquisa do instituto Marist para a NBC News, divulgada na semana passada. A sondagem mostra o democrata empatado com Trump (48% a 48%). No entanto, o que mais chama a atenção é a composição dos números, especialmente uma inversão do voto latino e dos eleitores acima de 65 anos. 

Em 2016, Trump teve 17 pontos porcentuais a mais do que Hillary Clinton entre os eleitores acima de 65 – um grupo que representa um terço do eleitorado do Estado. Agora, Biden inverteu a vantagem e lidera por 1 ponto porcentual, segundo a pesquisa.

Em compensação, entre os latinos, o democrata vem tendo um resultado pior que o de Hillary, que venceu Trump com 27 pontos de vantagem entre os hispânicos do Estado. Agora, Trump lidera o mesmo segmento por 4 pontos porcentuais. Os números do presidente, de acordo com a interpretação de muitos analistas, são impulsionados pela comunidade cubana da Flórida, que defende a política dura do governo americano com relação a Cuba e também a Venezuela.

Na terça-feira, Biden não escondeu o propósito da viagem. “Pretendo falar sobre como vou trabalhar para reverter todos os votos latinos”, disse o democrata, antes de partir para Tampa, onde se reuniu com veteranos e fez um discurso para a comunidade hispânica de Kissimmee, cidade de 75 mil habitantes nos subúrbios de Orlando.

As duas regiões visitadas – Tampa e Kissimmee – têm forte presença de eleitores de origem porto-riquenha. Eles são em torno de 200 mil pessoas e têm um perfil diferente dos cubanos – a maioria ainda se ressente da falta de ação do presidente americano após a passagem do furacão Maria, em setembro de 2017, que deixou pelo menos 3 mil mortos em Porto Rico. 

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Os eleitores latinos também serão importantes para determinar o resultado das eleições em vários outros Estados, como Arizona, Nevada e Texas. No entanto, a maioria do eleitorado fora da Flórida é composta por mexicanos, que priorizam outros temas e aumentam a complexidade do voto latino nos EUA. 

Estatísticos dizem que a Flórida é mais importante para Trump do que para Biden. Se perder a eleição no Estado, dificilmente o presidente será reeleito. Já o democrata, em caso de derrota na Flórida, ainda pode obter a maioria no colégio eleitoral se ganhar a votação nos Estados do Cinturão da Ferrugem, como Wisconsin, Michigan e Pensilvânia. 

A Flórida é tão importante que o bilionário Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, um desafeto de Trump, anunciou na semana passada que pretende gastar US$ 100 milhões nos últimos 50 dias de campanha para impulsionar o candidato democrata no Estado.  Segundo Bloomberg, o dinheiro servirá para que a campanha de Biden possa concentrar recursos em outros lugares. 

A viagem de terça-feira também foi uma resposta de Biden à pressão dos principais líderes da comunidade latina da Flórida, que vinham alertando para o crescimento de Trump no Estado. “Nas últimas duas semanas, temos trabalhado para colocar todas as peças no lugar”, disse José Parra, estrategista democrata de Miami. “A questão é saber se não é tarde demais.”

Na terça-feira, uma pesquisa da Monmouth University foi recebida com alívio pela campanha de Biden. De acordo com os números, o democrata manteve uma liderança de 5 pontos porcentuais sobre Trump (50% a 45%). De acordo com o site Five Thirty Eight, que estima a posição de cada candidato de acordo com a média ponderada das sondagens, Biden lidera na Flórida com 48,5%, Trump tem 46,1%.

Nos últimos dez anos, sete eleições majoritárias na Flórida foram decididas por 1 ponto porcentual – algumas até menos. Um exemplo de como a votação no Estado é sempre apertada foi a eleição de 2018 para o Senado. O republicano Rick Scott venceu o democrata Bill Nelson por apenas 10 mil votos – 0,13 ponto porcentual total do eleitorado. / WP e NYT 

 

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