Biden visita China para tranquilizar credores

Vice de Obama garantirá que os EUA honrarão compromissos financeiros e deve estreitar laços com o provável futuro presidente chinês

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PEQUIM

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, inicia hoje uma visita de quatro dias à China com a missão de tranquilizar o principal credor de Washington e de estreitar relações com o provável futuro líder chinês, Xi Jinping, que deverá assumir o posto de secretário-geral do Partido Comunista em 2012 e de presidente do país no ano seguinte.

"Um dos principais objetivos da visita é conhecer os futuros líderes chineses, construir um relacionamento com o vice-presidente Xi e discutir questões da relação entre EUA e China", disse o conselheiro de Segurança Nacional de Biden, Tony Blinken.

Será a primeira visita de um líder americano à China desde que a Standard & Poor"s rebaixou a classificação da dívida dos EUA, numa decisão que acendeu o alerta em Pequim em relação à segurança de seus investimentos em dólares.

A China é o maior credor dos EUA, com pelo menos US$ 1,2 trilhão em títulos do Tesouro americano. Do total de US$ 3,2 trilhões em reservas internacionais do país, cerca de dois terços estão aplicados em ativos denominados em dólar.

Na China, Biden deve enfatizar que Washington vai honrar seus compromissos e reduzir seu gigantesco déficit. Também tentará reduzir o desconforto de Pequim em relação ao embate político entre republicanos e democratas em torno da elevação do teto de endividamento dos EUA, que quase levou ao calote temporário do país.

Sob a sombra da crise da dívida americana, os dois lados colocarão sobre a mesa outras questões espinhosas. A China pressionará Washington a não vender mais armas a Taiwan, ilha que Pequim considera uma província rebelde e fonte permanente de tensão nas relações com os EUA. Os líderes chineses deverão ainda manifestar sua insatisfação com o encontro, no mês passado, entre o presidente Barack Obama e o dalai-lama, considerado separatista por Pequim.

O aspecto mais forte da visita é o tempo que Biden passará com o provável futuro presidente da China. Além dos tradicionais jantares de Estado, eles devem viajar juntos para a Província de Sichuan, devastada por um terremoto em 2008. Entre os outros líderes chineses com quem o americano se encontrará estão o presidente Hu Jintao e o premiê Wen Jiabao.

A última vez que Biden visitou Pequim foi em 1979, logo após a normalização das relações bilaterais. Além da China, o giro pela Ásia inclui passagens pela Mongólia e o Japão.

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