EFE/EPA/STR
EFE/EPA/STR

Bielo-russos protestam pela 10ª semana e pedem novas eleições

Manifestações ocorrem desde 9 de agosto após líder no poder desde 1994 ter vencido eleições consideradas fraudadas; imagens mostraram detenções neste domingo

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2020 | 17h34

MOSCOU - As forças de segurança na Bielo-Rússia detiveram dezenas de manifestantes neste domingo, 11, e usaram a força, incluindo canhões de água e cassetetes, para dispersar as multidões que exigiam uma nova eleição presidencial, mostraram imagens de TV. Os atos no país ocorrem desde 9 de agosto, quando o ditador Alexander Lukashenko ganhou uma eleição que foi considerada fraudada pela população e pela União Europeia. 

Imagens publicadas por meios de comunicação locais mostraram policiais usando balaclavas pretas arrastando manifestantes em vans pretas sem identificação e espancando manifestantes com seus cassetetes em uma manifestação que atraiu milhares de pessoas às ruas de Minsk, a capital.

Uma sequência mostrava uma van da polícia lançando um poderoso jato de água de um canhão sobre as multidões. 

A Bielor-Rússia, uma ex-república soviética intimamente aliada da Rússia, foi abalada por protestos de rua e greves desde que as autoridades anunciaram que Lukashenko ganhou a eleição por uma vitória esmagadora. Desde então, as pessoas têm saído às ruas todas as semanas para exigir que Lukashenko renuncie e permita a realização de uma nova eleição.

Lukashenko, um ex-gerente de fazenda coletiva que está no poder desde 1994, nega que sua vitória tenha sido resultado de trapaça. As forças de segurança detiveram mais de 13 mil pessoas durante uma repressão pós-eleitoral, algumas das quais foram posteriormente libertadas.

Os principais oponentes políticos de Lukashenko estão na prisão ou fugiram para o exterior. A violência de domingo ocorreu após uma reunião que Lukashenko realizou no sábado na prisão de Minsk com líderes da oposição detidos, um evento incomum que levou alguns ativistas da oposição a acreditar que ele estava se preparando para fazer concessões.

A polícia de Minsk disse no domingo que tinha detido "várias dezenas" de pessoas. A agência de notícias Interfax , da Rússia, informou que cerca de 50 pessoas foram detidas e que a polícia usou granadas de choque para afastar os manifestantes.

Os Estados Unidos, a União Europeia, a Grã-Bretanha e o Canadá impuseram sanções contra uma série de altos funcionários na Bielo-Rússia acusados ​​de fraude e abusos dos direitos humanos na sequência da eleição presidencial. A situação também chegou ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas.  

A líder da oposição Svetlana Tsikhanouskaya, que agora está na Lituânia, pede novas eleições e à libertação de todos os presos políticos. 

“Continuaremos a marchar de forma pacífica e persistente e exigir o que é nosso: novas eleições livres e transparentes”, escreveu Tsikhanouskaya em seu canal no Telegram no domingo. Atos semelhantes foram realizados em outras cidades do país no domingo. / Reuters 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.