REUTERS/Neil Hall
REUTERS/Neil Hall

Big Ben ficará em silêncio durante quatro anos para reparos

Trabalhos de conservação se estenderão até 2021; primeira parte a ser restaurada será a Ayrton Light, uma luz que fica no topo da torre e indica quando o Parlamento está reunido em sessão deliberativa

Célia Froufe, correspondente / Londres, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2017 | 11h18

LONDRES - O Big Ben ficará em silêncio a partir do dia 21 para trabalhos de conservação que se estenderão até 2021. Localizado no prédio mais fotografado do Reino Unido, o Palácio de Westminster - que abriga o Parlamento, um dos maiores símbolos do país -, o famoso sino deixará de dar suas badaladas em razão de uma grande obra na Elizabeth Tower.

Apesar de ser conhecido no mundo inteiro, muitos pensam que o Big Ben é o relógio, que também fica na torre, mas o apelido pertence, na realidade, ao "grande sino", que pesa 13,7 toneladas.

O cronograma dos trabalhos prevê que as últimas badaladas antes do início das obras de recuperação serão dadas ao meio-dia de segunda-feira. "O público será bem-vindo para marcar este importante momento e poderá se reunir na Praça do Parlamento para ouvir as últimas badaladas do Big Ben até que elas retornem em 2021", convidou o guardião do Grande Relógio, Steve Jaggs.

O Big Ben marcou a hora com um serviço quase ininterrupto em seus mais de 150 anos de existência, segundo uma nota do governo britânico enviada à imprensa. As últimas vezes em que o sino ficou mudo para manutenção foram em 2007 e no período entre 1983 e 2005, para um programa de remodelação em grande escala.

Agora, a Elizabeth Tower passa por um programa de renovação "para as futuras gerações". "O Big Ben em silêncio é um marco significativo neste projeto de conservação crucial. Como guardião do Grande Relógio, tenho a grande honra de garantir que esta bela peça de engenharia vitoriana esteja em boas condições diariamente. Este programa essencial de obras salvaguardará o relógio a longo prazo, além de proteger e preservar a sua casa - a Elizabeth Tower", disse Jaggs.

O Big Ben pode ser escutado de hora em hora e atinge até a nota E (ou Mi). Ele é acompanhado por outros quatro sinos que são responsáveis pela marcação sonora a cada 15 minutos. Já o Grande Relógio é operado por um mecanismo vitoriano personalizado, que se baseia na gravidade para desencadear as badaladas.

Para frear o efeito sonoro, os martelos serão bloqueados e o sino desligado do mecanismo do relógio, permitindo que ele continue mostrando o tempo, só que de forma silenciosa.

A Elizabeth Tower, que é o principal foco das câmeras dos turistas, tem 96 metros de altura e faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco. De acordo com o governo britânico, farão parte da conservação reparos na torre e no Grande Relógio; em elementos significativos da torre, conforme projetado pelos arquitetos Charles Barry e Augustus Welby Pugin; reparos e redecoração do interior, renovação da construção e melhoria da segurança e dos sistemas de proteção contra incêndio, além de um aprimoramento da eficiência energética para reduzir seu impacto ambiental.

O projeto começou no início deste ano e, conforme o governo, o Grande Relógio também será desmontado peça por peça, com cada roda dentada examinada e restaurada. Os quatro mostradores serão limpos, o vidro reparado, a estrutura de ferro fundido será renovada e os ponteiros, removidos e remodelados. Todas as faces do relógio serão, por um tempo ainda não definido, cobertos, mas para garantir a referência de horário na capital britânica, o projeto prevê que um relógio de trabalho ficará visível em todos os momentos ao longo dos reparos.

A primeira parte a ser restaurada será a Ayrton Light, uma luz que fica no topo da torre e indica quando o Parlamento está reunido em sessão deliberativa. A iluminação foi colocada a pedido da rainha Victoria.

Apesar de ser um dos principais pontos turísticos do país, a região do Big Ben não deve se esvaziar durante as obras. Além da curiosidade com relação aos trabalhos de renovação, nas redondezas também há outros locais que costumam atrair a atenção dos visitantes de Londres, como o próprio interior do Palácio de Westminster e a Abadia de Westminster, onde ocorreram as últimas coroações.

O local também abriga a Praça do Parlamento, que conta com estátuas de personalidades, como David Lloyd George, Winston Churchill e Nelson Mandela, e o parque que liga a área à residência oficial da família real, o Palácio de Buckingham.

Além disso, estão próximos o Churchill War Rooms - salas nas quais parte da 2.ª Guerra foi comandada -, a Downing Street - residência oficial do primeiro-ministro do Reino Unido -, e a London Eye, roda-gigante, que se tornou um símbolo mais recente da capital britânica.

Mais conteúdo sobre:
Reino Unido [Europa]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.